Nós, nossos ''hermanos'' e o teatro

Brasil, Portugal, Espanha e vários países latinos participam, a partir de hoje, do 2.º Festival Ibero-Americano do Memorial

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

01 Março 2009 | 00h00

A cenografia é um cubo de 1,5 m de diâmetro. Ali dentro o ator Fernando Sánchez-Cabezudo se move durante todo o espetáculo que dura cerca de 40 minutos. É a sua casa. Criado pela dupla Fernando e Jorge Sánchez-Cabezudo, considerado revelação da cena ibérica em 2006, esse espetáculo critica com humor e intensa teatralidade as moradias contemporâneas - e é apenas 1 dos 13 que integram a partir de hoje o 2º Festival de Teatro Ibero-Americano do Memorial da América Latina. De hoje a domingo o espectador terá a oportunidade de ver espetáculos de Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, entre outros países latino-americanos, sem contar as montagens brasileiras que valem e muito ser vistas, como o premiado A Noite dos Palhaços Mudos, da Cia. La Mínima, ou O Homem Inesperado, com Nicette Bruno e Paulo Goulart. E, o melhor, todas têm entrada grátis. Mas é bom estar atento para não ficar de fora, afinal, cada peça faz uma única apresentação. O festival, coordenado pelo diretor de atividades culturais da Fundação Memorial da América Latina, Fernando Calvozo, conta ainda com muitas outras atividades. A Praça Cívica, por exemplo, será palco de performances. O foyer do auditório abrigará as chamadas "cenas curtas", leituras cênicas e teatralização de segmentos de textos, programação cujo objetivo é atrair a atenção do público e envolver mais artistas e grupos no evento. Chico de Assis dará ainda uma oficina de dramaturgia e os debates contam com nomes de autores como Hugo VillaVicenzio e Renata Pallottini. Mas, para a grande maioria dos mortais, o que vale mesmo é a oportunidade, sempre rara, de ver boas peças vindas sobretudo dos países vizinhos. E qualidade parece ser o caso da montagem cubana de Medea, um solo da atriz Adria Santana, escrito por Abelardo Estorino. Trata-se evidentemente de uma visão autoral na qual mais do que a imagem da mulher traída e vingativa, interessa a ousadia e a dignidade de quem deixa a terra Natal para realizar seu sonho e, diante do fracasso, despede-se teatralmente. No programa da peça, Estorino afirma que o texto foi escrito "quase a quatro mãos", uma vez que brotou de um processo de criação feito na sala de ensaio, com a atriz, com quem mantém longa parceria artística. Cem Anos de Solidão, o romance de Gabriel García Márquez, inspira a peça Úrsula Iguarán... Cien Años de Mujer. Segundo o autor e diretor Hugo Aristimuño, a peça é um tributo à mulher e baseia-se na personagem Úrsula do premiado romance. Poemas e fragmentos de textos do poeta andaluz integram a dramaturgia de Mujeres de Lorca. Já a vida do ator José Maria Muscari, recriada por Mariela Asensi, é a base do espetáculo Crudo. Confira a programação completa do festival no site www.memorial.sp.gov.br. Programação HOJE 21 h - São Paulo A Noite dos Palhaços Mudos AMANHÃ 19 h - Argentina Crudo 21 h - Minas Gerais Histórias de Chocar QUARTA 19 h - São Paulo Senhora dos Afogados 21 h - Espanha M³ (Metro Cúbico) QUINTA 19 h - Bolívia Rifar El Corazon 21 h - São Paulo Viúva, Porém Honesta SEXTA 19 h - São Paulo On Co Tô? Quem Co Sô? Prom Co Vô? 21 h - Uruguai Mujeres de Lorca SÁBADO 19 h - México Ursula Iguarán... Cien Años de Mujer 21 h - São Paulo O Homem Inesperado DOMINGO 19 h - Cuba Medea 21 h - Portugal Ptolomeu e Sua Viagem de Circum-Navegação SÁBADO E DOMINGO 20 h - São Paulo Cordel do Amor Sem Fim Ônibus de 32 lugares. Saída e retorno da entrada do Auditório Simon Bolívar - Portão 12. Memorial da América Latina. Auditório Simon Bolívar. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, telefone 3823-4600 - Grátis

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