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Nino Cais cria sentidos com a fotografia em nova exposição em SP

Camila Molina - O Estado de S. Paulo

07 Julho 2014 | 02h 00

Artista inaugura mostra no Paço das Artes nesta segunda-feira

Imagens apropriadas de livros, revistas e catálogos encontrados em sebos vêm sendo "ressuscitadas" pelo artista Nino Cais. Em uma de suas ações artísticas, por exemplo, fotografias em preto e branco realizadas por fotógrafos famosos ou reproduções gráficas anônimas ganham, cuidadosamente, elementos como pedras de bijuterias do centro de São Paulo ou a asa de uma xícara branca para depois serem oferecidas ao público com a potência de outros significados. "A ideia não é transformar nem negar a imagem da qual me aproprio, é trazê-la de volta com novo ponto de vista, reforçá-la", diz o criador paulistano, que inaugura nesta segunda-feira, 7, às 19 horas, a exposição Um Cais para Nino: A Imagem na Imagem, no Paço das Artes.

A mostra individual, com curadoria de Tadeu Chiarelli, traz um amplo conjunto de cerca de 90 colagens, autorretratos e instalações recentes e, na grande maioria, inéditos. O curador, que considera a pesquisa de Nino Cais "uma das mais instigantes produções da cena artística", tomou tradicionais gêneros da história da arte, como a natureza-morta e o nu, para estabelecer a apresentação das obras expostas, cada uma delas resultado autônomo de meticulosa e sensível criação.

"Trabalho de maneira muito ingênua", afirma Nino, contando que a divisão de suas peças por linguagens foi uma ideia nova para ele. “Degusto as imagens e elas começam a me convidar a criar”, continua. Em seu processo, o artista não apenas insere elementos (delicados) do cotidiano nas imagens apropriadas, como também "depila", por exemplo, fotografias - ele retira camadas do papel deixando simbólicas áreas brancas na composição (geralmente, descascando rostos masculinos ou criando blocos sobre paisagens). Em colagens, joga ainda com significados ao construir situações com fragmentos das fotos impressas.

Sendo assim, a exposição adquire um caráter bem mais intimista que a sala de Nino Cais na 30ª Bienal de São Paulo, em 2012. A atual mostra no Paço das Artes, como diz seu título, centra-se na relação direta (e por vezes, contraditória) do criador, de 45 anos, com a imagem - com a fotografia, em muitos casos, que tem seu suporte revelado.

Divulgação
Personagem. Em autorretratos simbólicos, artista camufla-se em ações nas quais usa objetos do cotidiano

"A máquina fotográfica, para mim, é a Medusa que torna o momento eterno", diz o artista, neste caso, sobre sua produção de autorretratos, já um nicho extenso e característico de sua obra. "Fico tentando ser imagem, me considero mais um personagem", completa Cais sobre a prática de se colocar, nessas criações específicas, sempre se camuflando ou, em pose frontal, com o rosto coberto por objetos prosaicos. Até mesmo a instalação que apresenta com 20 ternos masculinos "cortados à altura do peito" e pendurados serialmente, como em fila, foi inspirada nos retratos de passaportes.

Como analisa Tadeu Chiarelli em seu texto para a exposição, o artista efetua diversas ações diferentes em seu processo criativo. "A base do desconforto que me causa a produção de colagens e autorretratos de Nino Cais é a diferença de propósitos e procedimentos que percebo nos dois tipos de produção: se em suas colagens Nino realiza uma operação de desnudamento do caráter artificial da imagem, salientando a materialidade do suporte que a sustenta e constitui, em seus autorretratos a impressão é a de que ele luta para fundir-se à realidade planar da imagem, como se o seu desejo fosse mesclar-se e desaparecer por entre os elementos que a compõem."

O curador também chama a atenção para a dualidade entre destruição/construção da imagem e de significados na obra do artista. Porque ao tomar reproduções como base de suas criações, ele as torna, primeiramente, "fragmentos", "sobras", "ruínas" de seu sentido original e contexto, como exemplifica Chiarelli, para depois voltarem ao mundo já com outra vida. Trata-se, assim, de uma obra incessante, que pode ser vista como "parábola da conflituosa relação que nós, seus contemporâneos, mantemos com o universo de imagens em que vivemos mergulhados."

NINO CAIS

Paço das Artes. Avenida da Universidade, 1, 3814-4832. 3ª a 6ª, 10 h/ 19 h; sáb. e dom., 12h30/17h30. Grátis. Até 7/9. Abertura segunda, 19 horas.

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