Nazareth Pacheco exibe criações com mercúrio em nova mostra em SP

A exposição 'Mercurial', que pode ser vista até dia 28 na Casa Triângulo, reúne objetos e fotografias

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2014 | 19h15

Depois das gotas de sangue, que inspiraram os trabalhos da última individual de Nazareth Pacheco, em 2007, na Casa Triângulo, a artista volta seu olhar, agora, para o mercúrio, objeto de pesquisa das criações que ela apresenta na mostra Mercurial, em cartaz até dia 28 na mesma galeria.

"A primeira coisa que me seduz são os materiais", define a paulistana sobre seu processo de trabalho e sua atração pelo metal líquido, encantador em seu aspecto prateado e espelhado, mas, ao mesmo tempo, perigoso por ser tóxico, proibitivo ao contato, que a motivou a criar as fotografias e os objetos que abrem sua exposição.

Dispostos na sala principal da galeria, esses novos trabalhos de Nazareth Pacheco, realizados desde o ano passado, trazem uma questão de frieza e distanciamento. O mercúrio encapsulado em frascos guardados em uma caixa vai se desdobrando em formas escorridas capturadas em imagens fotográficas abstratas, que são também transpostas, depois, para a ação escultórica. A "vida própria" que o metal líquido parece ter quando livre de recipientes é incorporada no ato de a artista transitar de um meio a outro em suas obras.

Sedução e impossibilidade (e perigo) - o caráter duplo que é característico da linguagem de Nazareth - estão presentes em Mercurial, entretanto, a criadora vai retornando a um passado mais distante e fundamental em sua arte, que remete aos anos 1990. Ela quer se libertar da questão do corpo e da forte imagem dos vestidos de giletes e miçangas que já criou - e, sendo assim, exibe no mezanino, entre outras obras, uma arara com cabides esculpidos em bronze. "Volto para a questão do objeto e da serialidade", afirma Nazareth.

NAZARETH PACHECO

Casa Triângulo. Rua Pais de Araujo, 77, Itaim Bibi, tel. 3167-5621. De 3ª a sáb., das 11 h às 19 h. Até 28/6.

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