Masp quer atrair público e dá novo ''''tapa'''' no acervo

Primeira tentativa de rearranjo das obras leva o nome de Arte do Mito e começa hoje, dia do aniversário do museu

Maria Hirszman, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2007 | 00h00

Hoje, o Masp completa 60 anos e apresenta uma nova leitura de sua coleção. A mostra do acervo, que anteriormente era concebida em função de critérios cronológicos e geográficos, começa pouco a pouco a ser organizada em torno de temas-chave. O primeiro módulo, que será inaugurado hoje, intitula-se Arte do Mito. Até maio, devem ser estruturadas as mostras Natureza das Coisas; Olhar e Ser Visto e Arte Religiosa. Este primeiro segmento, que ocupa o fim do grande salão do segundo andar, é composto por aproximadamente 50 pinturas, esculturas, cerâmicas e gravuras, que têm em comum a ênfase nas narrativas mitológicas. Convivem num mesmo espaço desde raras peças da antiguidade até telas de Picasso, Renoir ou até mesmo duas cabeças de medusa de Flávio de Carvalho. A intenção é estabelecer a convivência no mesmo espaço de obras provenientes de tempos e lugares distintos para que - a partir de sintonias e contrastes - apareçam com mais força os estilos e particularidades de cada uma delas. ''''O novo contexto altera radicalmente o modo como a coleção é vista'''', afirma o curador José Teixeira Coelho, sem temer uma possível polêmica em torno dessa espécie de renascimento dos critérios temáticos muito aparentados com a clássica segmentação da arte por gêneros acadêmicos. Roberto Carvalho de Magalhães, que também assina a curadoria e os textos do módulo sobre a mitologia, também é um entusiasta do tema como um importante eixo de aproximação, como ''''um passaporte para se entrar na obra''''. Além de estabelecer novos nexos entre as obras e abrir espaço para uma reflexão mais ativa sobre os trabalhos, essa reestruturação tem um importante peso simbólico, sobretudo se considerarmos a prolongada crise vivenciada pela instituição (já abordada em variadas e amplas reportagens deste ''''Caderno 2''''). Afinal, para um museu que nos últimos anos notabilizou-se por priorizar as grandes atrações internacionais e por grandes e polêmicos projetos arquitetônicos, não deixa de ser uma boa novidade esse olhar renovado para o que ele possui de melhor. Teixeira Coelho enfatiza, no entanto, que as mostras provisórias também reservam surpresas (ver abaixo) e que a idéia do museu é buscar um equilíbrio entre suas diferentes vocações. Hoje também será inaugurada nova edição do projeto Obra em Contexto, com obras de Thomaz Ianelli. Dentre os cerca de 9 mil itens que compõem a coleção do museu fundado por Assis Chateaubriand e idealizado por Pietro Maria Bardi, há obras de grande relevância para a história da arte. Segundo Teixeira Coelho, mensalmente chegam meia dúzia de pedidos insistentes de empréstimo das obras de Cézanne, Van Gogh, Renoir, Degas. Mas pelo menos ao longo de 2008 nenhum deles será atendido. em função das celebrações de aniversário. ''''É um presente para a cidade, para quem vem aqui visitá-las'''', afirma o curador, que espera com esse reforço da mostra permanente (ou de longa duração, como prefere chamar) suscitar por parte do público um maior interesse em realizar visitas periódicas ao museu. Talvez essa intenção explique em parte o fato de as releituras terem sido escalonadas ao longo dos próximos meses. Mas isso não significa que se deva esperar até maio para rever o acervo. Até porque o restante do amplo espaço dedicado ao acervo também passou por uma série de reformulações que, se não trouxeram de volta as tão reivindicadas molduras de vidro de Lina Bo Bardi, ao menos trouxeram uma série de beneficios, como uma montagem mais leve e o ressurgimento de peças há muito não mostradas (porque estavam recolhidas no espaço da reserva técnica), como é o caso de algumas importantes telas brasileiras. Dentre os artistas nacionais, o mais privilegiado parece ser Cândido Portinari, com a série bíblica e a dos Retirantes. A Seguir, Cenas das Próximas Mostras A NATUREZA DAS COISAS: paisagens e naturezas-mortas da coleção do Masp. Novembro. COLEÇÃO MASP-PIRELLI DE FOTOGRAFIA: 16.ª exposições com novas aquisições do acervo. Dezembro. OLHAR E SER VISTO: Retratos da coleção do Masp. Fevereiro de 2008. DESENHOS ESPANHÓIS DO SÉCULO 20: obras da Fundação Mapfre, da Espanha. Abril. EDER SANTOS: 1.º semestre de 2008. ARTE RELIGIOSA: Obras do século 19 à contemporaneidade. Abril. LUIS GORDILLO E MANOLO QUEJIDO. Maio. CAÇADORES DE SOMBRAS: Fotografia contemporânea espanhola. Maio. ANA TAVARES: 2º semestre de 2008. PAULA MODERSOHN-BECKER: Agosto 2008. ARTE CALIGRÁFICA JAPONESA MAINICHI SHODO: Agosto/setembro de 2008. TESOUROS DA TERRA SANTA: Obras do Museu Nacional de Israel. Agosto. PRIMERA GENERACION: ARTE E IMAGEN EN MOVIMIENTO: Exposição organizada pelo Centro Reina Sofia, de Madri com trabalhos realizados entre 1963-1986. Programada para o 1.º semestre de 2009.

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