Masp nega que censurou desenhos eróticos

Curador da exposição 'Pedro Correia de Araújo:Erótica' justifica a cobertura das obras com panos negros por causa da incidência de luz no segundo subsolo do museu

O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2017 | 19h08

Fernando Oliva, curador da exposição Pedro Correia de Araújo: Erótica, em cartaz no Masp, em carta enviada ao Estado, a respeito do texto Museus já adotam a autocensura temendo os grupos de pressão, publicado na quarta-feira, dia 13, esclareceu que “não houve censura e tampouco autocensura por parte da curadoria do Masp” ao decidir cobrir com uma pequena cortina preta desenhos eróticos do artista.

Os “panos negros”, segundo Oliva, foram colocados porque “há incidência de luz muita alta para obras em papel” no segundo subsolo, onde está instalada a mostra. Para Oliva, eles “resultam em uma solução estética que nos interessava”. “Portanto, acredito que essas decisões estão muito distantes do ato de censurar, pois, afinal, as obras estão acessíveis ao público.” Os panos negros, argumenta o curador, “despertam ainda mais curiosidade em ver o que está sob eles.”

Segundo a assessoria do Masp, a decisão de cobrir os desenhos eróticos de Pedro Correia de Araújo foi tomada três semanas antes dos acontecimentos que envolveram a mostra Queermuseu, do Santander Cultural de Porto Alegre, fechada no domingo, dia10, por pressão de grupos conservadores, que protestaram contra o conteúdo sexual das obras expostas. Ainda segundo a assessoria do museu paulista, “o Masp tem dedicado todo o ano de 2017 para discutir o tema da sexualidade” e “a mostra de Pedro Correia de Araújo: Erótica faz parte de um contexto amplo, que já exibiu obras de Teresinha Soares, Miguel Rio Branco e Toulouse-Lautrec com conteúdo de nudez e representações de atos e órgãos sexuais de forma explícita”.

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