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Masp ganha obra icônica que denunciou o horror dos anos 1960

- Atualizado: 15 Janeiro 2016 | 19h 05

Anna Maria Maiolino doa ao museu paulistano sua assemblage 'O Herói', de 1966, um comentário sobre a ditadura

Presente em alguns dos principais museus do mundo (MoMA, Reina Sofia), a artista brasileira de origem italiana Anna Maria Maiolino, que completa 74 anos em maio, vai dividir o panteão do Masp com Van Gogh, Matisse e outros mestres. Ela acaba de doar ao museu paulistano, principal acervo da América Latina, sua conhecida assemblage O Herói (1966). Obra antecipatória dos horrores da ditadura, O Herói passou por exposições históricas, entre elas a mostra Nova Objetividade Brasileira (1967), organizada no Museu de Arte Moderna do Rio por artistas de vanguarda (Hélio Oiticica, entre outros) que, na época, propuseram a superação da pintura de cavalete pelo objeto.

Representado por uma caveira com um capacete e uma farda coberta de medalhas, o “herói” de Maiolino é um objeto de madeira recortada, uma assemblage de vários elementos que levanta uma discussão filosófica – além de política. “O herói é um arquétipo discutível e carregado, está sempre a serviço do poder”, define a artista, que este ano ganha exposição em Zurique, publica novo livro e começa um projeto de escultura que será instalada em Milão.

A obra "O Herói" (1966), assemblage de Anna Maria Maiolino doada ao Masp, participou de exposições históricas, como Nova Objetividade, em 1967, no MAM carioca

A obra "O Herói" (1966), assemblage de Anna Maria Maiolino doada ao Masp, participou de exposições históricas, como Nova Objetividade, em 1967, no MAM carioca

A doação de O Herói foi sugerida pelo diretor artístico do Masp, Adriano Pedrosa, em conversa com a artista. Anna Maria Maiolino mostra-se animada com as mudanças no museu e a perspectiva de ser exposta nos cavaletes de cristal criados por Lina Bo Bardi na mesma época em que a obra doada começava a ser mostrada. Ela chegou ao Brasil em 1960, após passar pela Venezuela. Maiolino emigrou com sua família para Caracas em 1954, em busca de uma vida melhor. Última criança de dez filhos, a artista, nascida em Scalea, Calábria, conheceu a pobreza nas aldeias italianas arrasadas pela guerra. “A figura da caveira também foi evocada pela lembrança desses tempos”, diz.

Ao casar, em 1963, com o artista carioca Rubens Gerchman (1942-2008), Maiolino integrou-se ao movimento Nova Figuração, uma reação ao abstracionismo que exigia a tomada de uma posição política frente à ditadura. “Havia uma ação coletiva, um entusiasmo, e eu tive a sorte de ser orientada por artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica”, conclui.

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