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JOSE PATRICIO|ESTADÃO

Martinho Patrício mostra sua arte de moldar com tecidos

O artista paraibano exibe suas criações na Galeria Superfície de São Paulo

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Camila Molina,
O Estado de S. Paulo

05 Março 2016 | 16h00

Sobre ter se interessado por tecidos, Martinho Patrício poderia elaborar um discurso de artista, mas não é o caso. “Minha avó era costureira, minhas tias também e o meu quarto era o ateliê de costura da minha mãe”, conta. Na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, sua cidade natal e onde vive, ele já havia realizado pinturas, desenhos e gravuras durante o curso de educação artística com especialização em teatro, mas, em 1991, quando criou a obra que era uma faixa de algodão cru cheia de fitas coloridas de cetim penduradas, Martinho Patrício a chamou de Entradas por representar, afirma, “o começo de tudo”. “A maioria dos meus trabalhos vem da observação do cotidiano, não tem muito mistério.”

Criar trabalhos com tecidos tornou-se, assim, desde aquela época, uma maneira de “amolecer” o concretismo herdado do professor Hermano José (1922-2015), pintor e gravador paraibano que morou no Rio e foi da geração de Ivan Serpa e Anna Letycia. “Hermano José foi me mostrando todo o universo das artes visuais e o meu trabalho era muito concreto, tudo era muito bem construído, mas sempre senti uma vontade grande de que aquela coisa certinha amolecesse de alguma forma”, rememora Martinho Patrício. Da frieza geométrica, o artista, assim como a neocontretista Lygia Clark (1920-1988), reverenciada por ele na instalação Brincar com Lygia, mostrada em exposição homônima realizada em 2005 no Recife, quis incluir a “experiência vivida” em suas criações. Com os tecidos – rendados, cetim, fuxicos, brim, entre outros –, universo que lhe é naturalmente próximo, ele faz seu “inventário das coisas mundanas e sagradas”, como já definiu o curador Moacir dos Anjos.

Desde sua primeira individual, em 1991, na Pinacoteca da universidade em João Pessoa, o artista, nome da geração 90 brasileira (a que olhou para o cotidiano), apenas realizou mostras institucionais em museus e participou de eventos como a 27.ª Bienal de São Paulo, em 2006, com curadoria de Lisette Lagnado, e a 7.ª Bienal do Mercosul, em 2009. Curiosamente, só agora, prestes a completar 52 anos (em abril), Martinho Patrício exibe pela primeira vez suas obras em uma galeria. Na exposição Me Molde, em cartaz até 26 de março na paulistana Galeria Superfície, o público tem a oportunidade de ver trabalhos inéditos do paraibano e conhecer/rever peças de outros momentos de sua carreira.

Dos antigos, destacam-se três criações de 2002 feitas em linho e renda brancas. Instaladas na parede, são como dobraduras planas que falam da tentativa do artista de usar o tecido para fazer algo tridimensional. Mais ainda, obras de linho, renda e gorgorão pretos dobrados e costurados, concebidas desde 1999, são, propriamente, esculturas têxteis que podem remeter a “máscaras africanas”, ele diz, ou mesmo fazer alusão à sexualidade.

Me Molde, projeto de 2007 executado apenas agora, é a aproximação mais uma vez com o neoconcretismo ao convidar o espectador a criar formas a partir de quadrados de brim amarelos, vermelhos, verdes e azuis instalados sobre mesas de madeira desenhadas por Martinho Patrício.

MARTINHO PATRÍCIO - ME MOLDE

Galeria Superfície. Rua Oscar Freire, 240, Jardins, tel. 3062-3576. 3ª a 6ª, 10h/19h; sáb., 11h/17h. Até 26/3

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