Mara Zampieri reconta história do canto lírico

A lendária soprano italiana apresenta-se hoje dentro do ciclo Grandes Vozes, do Teatro São Pedro

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

13 Agosto 2008 | 00h00

"Minha intenção foi oferecer ao público um retrato da história da música vocal", explica a soprano Mara Zampieri, que se apresenta hoje no Teatro São Pedro. Figura lendária da ópera italiana das últimas décadas, ela está na cidade desde o fim de semana. Nos últimos dias, tem dado aula a cantores brasileiros - e, hoje, tem a chance de mostrar no palco aquilo que tem defendido nas masterclasses: a importância da musicalidade. A presença de Mara na cidade é iniciativa do projeto Grandes Vozes, que já trouxe ao País, entre outros, Fiorenza Cossoto, Fedora Barbieri, Raul Gimenez, Elena Obraztsova e Yevgueni Nesterenko - todos grandes cantores da segunda metade do século 20 que, além de se apresentar, deram aulas a jovens brasileiros. "Estou muito feliz", diz Mara. E qual a principal mensagem que faz questão de passar aos alunos? "O problema comum que encontro nos cantores é a pouca atenção à expressão pretendida pelos compositores. Acredito que os professores brasileiros dão atenção muito grande ao aspecto técnico vocal, deixando de lado a musicalidade, sem a qual a intepretação perde." Mara sabe do que fala. Um furacão no palco, fez carreira interpretando grandes e complicados papéis como Lady Macbeth, Tosca e Fedora, ao lado de Plácido Domingo, Jaime Aragall e uma legião de grandes artistas. "O segredo para a boa conservação da voz é a escolha do repertório e, se possível, a escolha dos maestros com quem se trabalha. Dou um exemplo. Minha primeira Lady Macbeth, um papel temível, foi com um maestro amigo, Giuseppe Sinopoli, que conhecia perfeitamente minha voz, o que tornou a estréia muito fácil." De volta ao recital, ela explica a escolha do repertório. "Nada está aqui por acaso, o objetivo foi mesmo oferecer o painel da música vocal a partir de Beethoven, de quem interpreto a ária de concerto Ah! Perfido!. Em seguida, está Rossini, L?Ultimo Ricordo, uma ária pouco conhecida mas de sabor particular. Há então Massenet, Elegie Tristesse du Soir, e o último dos Wesendonck Lieder, de Richard Wagner, uma espécie de estudo anterior a Tristão e Isolda. Na segunda parte, começo com Tosti, Cilea, Ferrari, Cimara e Menotti, cinco autores italianos de quem gosto muito e que sempre incluo em meus recitais, fruto de longa pesquisa a que me dediquei e que resultou em um CD, Novecento Italiano: Rare Songs. Por fim, uma homenagem ao Brasil, com a ária de Fosca, de Carlos Gomes." O programa tem ainda Vissi D?Arte, da Tosca, de Puccini, e Io Son l?Umile Ancella, de Adriana Lecouvreur, de Giordano. O pianista Marco Antonio Bernardo complementa o programa com transcrições para piano-solo de trechos orquestrais de óperas como Fedora, Tristão e Isolda e Rigoletto. Serviço Mara Zampieri. Teatro S. Pedro (636 lug.). R. Barra Funda, 171, 3667-0499. 4.ª, 21 h. R$ 20

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.