Lenços para mais uma mocinha rica e indefesa

Personagem de Marjorie Estiano em Duas Caras já deixou claro que vem por aí outra sofredora das boas

Crítica Patrícia Villalba, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Os vilões continuam com tudo. Já os mocinhos e mocinhas não param de nos decepcionar. Está certo que Maria Paula, a protagonista de Duas Caras, que estreou na segunda-feira na Globo, deve ser uma herdeira ingênua o suficiente para se deixar envolver por um vigarista tão canastrão quanto Alberto (Dalton Vigh). Mas alguns tons acima, a personagem de Marjorie Estiano já deixou claro que vem por aí mais uma sofredora das boas. Moça indefesa que vai tomar algumas atitudes erradas, cavar a própria cova e chorar aos montes, já deu para notar. Claro que vai apaixonar-se pelo cafajeste, que lá pelas tantas poderá questionar o próprio golpe, e se ver apaixonado pela presa. Em novela, a maneira como se repetem os estereótipos faz parte do show e Aguinaldo Silva é bom nisso. Quem não se repete é o personagem de Antonio Fagundes, Juvenal Antena (onde o autor arranja esses nomes?) Faz um tipo que se aproveita da fraqueza alheia para se tornar líder comunitário, uma história boa para se contar. Letícia Spiller parece que ressuscitou a Babalu de Quatro por Quatro, a personagem que a lançou nas novelas. Faz Eva, uma perua desmiolada que é fã de Evita Perón - as peruas quase sempre agradam. Faltou Suzana Vieira no primeiro capítulo, que repete o nome Branca (com o qual arrebentou em Por Amor) e a parceria com Aguinaldo (de Senhora do Destino, recorde de audiência na década). Uma novela que começou sem grandes ousadias, amparada em boas histórias, que prometem. E à moda de Gabriel Braga Nunes, que cultiva as madeixas em Caminhos do Coração (Record), só não deu para entender o corte de cabelo de Caco Ciocler (Claudius).

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