Hirosuke Kitamura
Hirosuke Kitamura

Japonês Hirosuke Kitamura abre exposição 'Breu'

Mostra conta com 16 imagens que perpassam a religiosidade, o cotidiano, o sagrado e o profano

Simonetta Persichetti, Especial para O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2017 | 06h00

Formado em letras portuguesas na Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto, Hirosuke Kitamura, nascido em 1967, desembarcou no Brasil no começo dos anos 1990, para um intercâmbio. Mais precisamente, ele chega a Salvador, onde a cultura minimalista japonesa se encontra com a explosão de cores, sons, odores e sabores brasileiros. Kitamura não deixa mais o Brasil e o possível acadêmico de literatura escolhe a fotografia para entender o país que escolheu para morar. 

No meio de tantos sentidos barulhentos, é à noite que ele prefere trabalhar. Suas imagens estão no limite entre a luminosidade e a escuridão. Daí o nome Breu dessa exposição que ele inaugura na Doc Galeria. Uma parceria com a galeria Biographica Arte Contemporânea, que organizou e fez a curadoria da mostra e representa o artista em São Paulo. São 16 imagens que perpassam a religiosidade, o cotidiano, o sagrado e o profano e que, no limiar da luminosidade, esperam ser descobertas, decodificadas, e que talvez esperam nos surpreender. Fotografias que José Arbex define no texto que acompanha a mostra: “Há um mundo que palpita no escuro e que permanece à espera de quem possa e queira descobri-lo. A fruição desse mundo adquire uma dimensão religiosa (no sentido de re-ligare, fazer a reconexão com as forças primordiais do universo), plasticamente traduzida nas fotos que evocam a natureza primitiva, as entidades do candomblé, os ciclos de vida e morte gravados nos corpos capturados pela câmera.

Não um mero recurso estético, mas uma linguagem própria, talvez uma reminiscência de sua cultura mais contida, uma busca de um silêncio, no meio de tanto barulho: “Para Hirosuke Kitamura, o jogo do claro/escuro não é uma simples técnica, um artifício de linguagem: é a própria razão de ser da fotografia, mas que transcende a exposição do registro da imagem para sugerir o encanto do mistério que existe em todas as coisas, mesmo nas mais banais, e na própria vida”, escreve ainda Arbex.

Num primeiro momento, suas fotografias nos remetem à estética de Miguel Rio Branco, que, como o próprio fotógrafo reconhece, foi sua fonte inspiradora, assim como Mário Cravo Neto. “Conversava muito com os dois quando cheguei ao Brasil e, sem dúvida, sofri sua influência”, relata em entrevista por telefone. E foi o próprio Miguel Rio Branco que fez a curadoria de uma exposição anterior do Hirosuke, Hidra, em 2012. Nela, o fotógrafo apresentou os bordéis de Salvador, tema em comum com Miguel Rio Branco. Um discípulo que conversa com sua inspiração. Um encontro de culturas diferentes, mas que acha na fotografia uma maneira de se expressar. 

HIROSUKE KITAMURA

DOC Galeria. Rua Aspicuelta, 145, tel. 2592-7922. 2ª a 6ª, 14h/19h; sáb., 12h/17h. Abertura: 6ª (18), 19h30. Até 16/9

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