Chico Albuquerque
Chico Albuquerque

Fotógrafo Chico Albuquerque é homenageado em seu centenário

Profissional trabalhou com Orson Welles, nos anos 1940, na produção do filme 'It's All True'

Simonetta Persichetti, Especial para O Estado de S. Paulo

07 Maio 2017 | 03h00

As velas do Mucuripe são lembradas pela canção que Raimundo Fagner imortalizou nos anos 1970. Mas muito antes disso, nos anos 1940 e 1950, o fotógrafo cearense Francisco Albuquerque (1917-2000), ou “Seu Chico” como ficou conhecido entre seus seguidores, fotografaria as velas do Mucuripe. A primeira vez foi ainda nos anos 1940, ao fazer o still do filme It’s All True (É Tudo Verdade), do cineasta Orson Welles. A segunda, 10 anos depois, em 1952, para seu livro Mucuripe

No ano em que se comemora seu centenário é sempre bom lembrar que Chico Albuquerque é citação fundamental na fotografia brasileira. Seu nome muitas vezes aparece ligado aos retratos e à publicidade, mas durante seus 65 anos de fotografia foi, antes de mais nada, fotógrafo, registrando tudo que lhe interessava. Mestre da fotografia publicitária, foi o primeiro a realizar uma campanha ilustrada fotograficamente no Brasil, em 1948. 

Para marcar a data, o Instituto Moreira Salles (IMS), do Rio de Janeiro, e a Terra da Luz Editorial, do Ceará, abrem a exposição O Fotógrafo Chico Albuquerque, 100 Anos, que ocupa os dois andares do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Esta é a mais completa mostra sobre a sua obra, somando cerca de 400 fotografias, além de objetos, livros e recortes, exibição de filmes (It’s All True, Cangaceiros), documentários sobre ele, vídeo sobre o livro Mucuripe, entrevistas, entre outros. A mostra abriu o festival Maloca Dragão, que este ano tem como tema It’s All True, Orson Welles – 100 Anos de Chico Albuquerque. 

Muitas fotografias serão expostas pela primeira vez no Ceará. Elas são parte do acervo de cerca de 75 mil imagens produzidas pelo fotógrafo cearense em São Paulo, entre 1947 e 1975, que está preservado na Reserva Técnica Fotográfica do Instituto Moreira Salles por meio de convênio com o Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Outra parte da exposição é composta por fotografias mantidas no Ceará, sendo, pois, um encontro de acervos, dando uma visão de toda a obra. 

Nascido em Fortaleza, Chico começou a se interessar pela imagem ainda adolescente. Seu pai foi o fundador da Abafilm e responsável pelo início da carreira profissional do filho, que esteve à frente do estúdio da empresa de fotografia. 

Mas, para ele, a capital cearense era pequena e no fim dos anos 1940 ele se muda para São Paulo onde montou estúdio na Avenida Rebouças e investiu na publicidade. E será aqui, na cidade, que vai ajudar a montar vários estúdios fotográficos como o da agência Salles de publicidade e o estúdio Abril. 

Mestre, ensinou seu trabalho a vários fotógrafos. Em 1975, voltou a Fortaleza. Lá, ajudou a formar uma equipe de fotojornalistas para o jornal O Povo. 

Aos que lhe perguntavam o que era preciso para ser fotógrafo, ele respondia com seu jeito brincalhão e alegre, sempre acompanhado de uma risada: “Fujam do centro do retângulo”. Com essa frase, instigava o fotógrafo iniciante a aprender a ver. 

“Seu Chico”, um dos mestres da fotografia publicitária, deixou um grande legado: o de aprender a enxergar.

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