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Fortaleza ganha Museu da Fotografia com mais de 2 mil obras

Distribuído em três andares, o conjunto de imagens contempla nomes históricos, como Man Ray, Henri Cartier-Bresson e Marcel Gautherot

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Celso Filho ,
O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 04h00

FORTALEZA - Em uma área de 2,5 mil m², o recém-inaugurado Museu da Fotografia Fortaleza, no Ceará, abre suas portas para um expressivo acervo de obras percorrendo diferentes momentos da história da fotografia nacional e mundial. Idealizado pelos colecionadores e empresários Paula e Silvio Frota, o museu privado nasceu a partir de uma imponente coleção pessoal do casal, com mais de duas mil obras. Distribuído em três andares, o conjunto de imagens contempla nomes históricos, como Man Ray, Henri Cartier-Bresson e Marcel Gautherot, que dividem espaço com outros artistas de destaque na produção contemporânea – entre eles, André Liohn, Claudia Andujar e Rosângela Rennó.

Foi há nove anos que Silvio Frota e sua mulher decidiram se enveredar no universo da fotografia. Colecionadores de pinturas desde a década de 1980, os empresários mudaram os rumos de seu hobby ao visitar uma exposição na cidade texana de Houston, nos Estados Unidos. Lá, eles tiveram contato com a icônica fotografia de Steve McCurry de uma menina afegã, registrada pelo fotojornalista em um campo de refugiados no Paquistão, e que estampou uma capa da revista National Geographic. A imagem foi a primeira aquisição da família e o ponto de partida para a coleção que está, agora, no museu.

“Com a foto do Steve McCurry, eu fiquei apaixonado pela fotografia. Ela veio de uma maneira avassaladora. A partir dela, eu comecei a estudar mais sobre o assunto, ir a outras exposições de fotografia, leilões, feiras e galerias”, conta o colecionador Silvio Frota.

Com o tempo, o projeto de se criar o museu surgiu como uma consequência quando Frota viu seu acervo crescer rapidamente. “Não era justo nós termos acesso a todas essas obras e o resto da população não”, explica. A tarefa de dar forma expositiva à coleção foi, então, incumbida ao curador e ex-diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Ivo Mesquita. 

Em um primeiro momento, o museu, que reformou o prédio do antigo Instituto Brasil-Estados Unidos, no bairro de Varjota na capital cearense, apresenta um recorte de cerca de 400 imagens do acervo. “O que está aqui é uma representação das diversas faces da fotografia e das inúmeras possibilidades que ela tem”, ressalta Mesquita. A partir do acervo, o curador produziu exposições permanentes e temporárias, contando a história da fotografia. A ideia é que no futuro o museu também passe a receber mostras com acervos de outras instituições, além de cursos e oficinas. 

Por ora, o primeiro andar do prédio é ocupado com a mostra temporária Um Imaginário da Cidade. Nela, Mesquita selecionou fotografias que, de diferentes maneiras, tomam como tema a cidade e o ambiente urbano. Assim, é possível ver registros da construção de Brasília nos anos 1950, feitos pelo fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot, ou obras de uma série do fotojornalista Gabriel Chaim sobre o conflito na Síria e a destruição em Alepo.

Já no segundo e terceiro andares estão mostras de longa duração. Em Jogos de Olhares, Mesquita buscou destaques da coleção, em obras que relacionam o fazer fotográfico a outras expressões artísticas. Entre eles, estão, por exemplo, trabalhos mais experimentais de artistas como Yuri Firmeza ou Anna Maria Maiolino. Também estão ali um conjunto de retratos feito por fotógrafos, como Nickolas Muray e Milton Greene. Já a exposição Norte e Nordeste recupera o olhar da fotografia sobre a vida e o imaginário nordestino – o que não poderia faltar, a série sobre o cangaço de Benjamin Abrahão e um ensaio premiado de Juca Martins sobre o garimpo na Serra Pelada.

Homenagem.

Um dos destaques da coleção são obras do cearense Chico Albuquerque, pioneiro da fotografia publicitária. O centenário de seu nascimento será lembrado no museu. A primeira mostra apresenta um de seus primeiros trabalhos – o ensaio que Albuquerque fez como fotógrafo de cena na produção do filme de Orson Welles É Tudo Verdade, no Ceará, em 1942.

*O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO MUSEU DA FOTOGRAFIA

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