ANA CAROLINA SACOMAN/ESTADÃO
ANA CAROLINA SACOMAN/ESTADÃO

'Foi como ver a Capela Sistina', diz neto de Miró

Em SP, Joan Punyet Miró fala de quando conheceu o ateliê do pintor, cuja mostra começa neste sábado, na cidade

Entrevista com

Joan Punyet Miró

Ana Carolina Sacoman, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2015 | 05h00

Joan Punyet Miró fala com empolgação do avô quase homônimo com quem conviveu até os 15 anos. Como um raio, ele atravessa a mostra Joan Miró – A Força da Matéria, no Instituto Tomie Ohtake, com mais de cem obras do artista catalão, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e vídeos, que será aberta neste sábado, 23, e vai até 16 de agosto. Para Miró-neto, o Miró-avô “pintava como um poeta” e fazia sua poesia “universal e atemporal”. Entre as obras expostas, cinco quadros “sem título, sem data, desconhecidos” merecem uma pausa do neto: são de seu acervo particular e estão em exposição pela primeira vez. “É difícil dizer como são importantes para mim.” A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estado:

Como as obras de Miró sobreviveram ao tempo sem envelhecer?

Ele levou a vida toda para pintar como um menino. Já no fim da vida, ainda demonstrava um intenso frenesi criativo. Sua comunhão com as crianças é automática, talvez por isso sua obra não envelheça.

Sempre soube que seu avô era um mestre da pintura?

Não, por muito tempo, era apenas meu avô. Só quando, aos 10 anos, entrei pela primeira vez no ateliê dele (a Oficina Sert, em Palma de Maiorca, cidade onde Miró morreu, em 1983), foi como entrar na Capela Sistina, um susto, ver todas aquelas criações, aquele gênio criativo.

Qual cidade foi mais importante para Miró, Barcelona, onde estudou e começou a carreira, ou Paris, para onde foi nos anos 1920?

Paris, sem dúvida. Uma vez, ele escreveu uma carta, com letras garrafais: “Quero ir para Paris, Paris, Paris”. Era um desejo muito grande. Em Barcelona, seria um pintor local, o que ele não queria. Via Paris como a capital da arte moderna. Barcelona era provinciana, se tivesse ficado lá, a história seria diferente.

Qual o legado de Miró?

A máxima liberdade pictórica criativa e universal. Era um pintor-poeta, pintava poesia na tela. Dizia: “Minhas obras escapam de mim para fertilizar o mundo”. E é isso mesmo.

Qual a importância da exposição em São Paulo?

É a oportunidade de discutir as forças materiais pictóricas de Miró, de mostrar o trabalho dele em técnicas variadas: madeira, feltro, massa de vidraceiro... Quem vier, vai encontrar o mundo de sonho e fantasia de Miró. 

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