Divugalção/Claudio Edinger
Divugalção/Claudio Edinger

'Falta responsabilidade pública', diz curador da Coleção Daros sobre fechamento do centro

Hans-Michael Herzog, alemão que formulou o conjunto de arte latina, diz não entender por que as atividades serão encerradas

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 18h15

RIO - Curador da Coleção Daros Latinamerica, o alemão Hans-Michael Herzog fez críticas ao fechamento da Casa, no Rio. Focado em arte contemporânea latinoamericana, o centro cultural, hoje um dos mais importantes da cidade, foi aberto há apenas dois anos e encerrará suas atividades em dezembro, por falta de dinheiro para se manter (conforme informação oficial). A notícia chocou artistas e os 150 empregados.

“É uma falta de respeito e de responsabilidade pública. Não sei por que não vai continuar. Mas não me surpreendi, porque desde julho de 2014, quando eu fui demitido, já estava claro que a Casa Daros não podia continuar, sem curador”, afirmou Herzog, que permanece trabalhando até dezembro por força contratual. O diretor de arte e educação da Daros, o cubano Eugenio Valdés Figueroa, já havia sido demitido também.

A coleção, com 1.200 obras de 120 artistas, vem sendo formulada por Herzog desde 2000. A proprietária é a bilionária suíça Ruth Schmidheiney, que decidiu fechar o centro cultural. O presidente do Conselho da Coleção Daros Latinamerica, Christian Verling, disse que agora será privilegiada a circulação internacional do conjunto, único no mundo, ao invés de divulgá-lo só no Rio. “Isso não é desculpa”, retruca Herzog. “Se você vir a lista dos empréstimos para exposições, é enorme”.

Verling explicou que o fechamento se deve à falta de recursos e a dificuldades burocráticas que envolvem o tráfego de obras entre Brasil e Suíça, e que o objetivo de dar visibilidade à coleção foi alcançado.

“A casa é mantida por financiamento privado, que não é ilimitado”, justificou. “Manter o prédio é nosso objetivo. Seria um desastre se fosse dilapidado. Aceitamos ofertas e vamos achar uma solução boa.” A ideia é manter o casarão do século 19, restaurado pela Daros por seis anos, como centro cultural. Mas tudo dependerá de quem irá assumi-lo.

Verling negou que os problemas com a Justiça do ex-marido de Ruth, o industrial Stephan Schmidheiny, o “magnata do amianto” - sua empresa é responsabilizada pela morte de quase 3.000 funcionários - tenha a ver com os rumos da Casa Daros.

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