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Design brasileiro dos anos 1960 e 1970 é tema de livros

Antônio Gonçalves Filho - O Estado de S. Paulo

16 Junho 2014 | 03h 02

Publicações falam de legado modernista na época em que o País se industrializava

A força criativa do design moderno brasileiro está presente em dois livros recentemente lançados, Design Total, de Celso Longo, que resume a trajetória dos arquitetos João Carlos Cauduro e Ludovico Martino, e Jorge Zalszupin – Design Moderno no Brasil, organizado por Lissa Carmona Tozzi com texto de Maria Cecília Loschiavo dos Santos. Ambos têm em comum a aplicação do legado modernista na época em que o país se industrializava, exigindo dos arquitetos e designers projetos ousados. 

Tanto Cauduro como Martino e Zalszupin foram protagonistas da revolução construtiva registrada no Brasil dos anos 1950/60 – os dois primeiros respondem pela implantação do moderno design urbano em São Paulo e o último, hoje com 92 anos, como projetista dos móveis que a moderna Brasília de Niemeyer adotou. É de Zalszupin a poltrona Ambassador desenhada para o plenário do Supremo Tribunal Federal nos anos 1960, a mesma vista na foto ao lado com o ex-ministro Joaquim Barbosa julgando os réus do Mensalão.

Divulgação
Avenida Paulista nos anos 1970

Zalszupin voltou recentemente a desenhar cadeiras. Há quatro anos, ele criou para a Etel, que reedita alguns de seus móveis desde 2006, a poltrona Verônica, após 40 anos sem desenhar. Trata-se de um protótipo da década de 1960 nunca executado, peça que utiliza madeira – Zalszupin ficou conhecido por seus móveis em jacarandá. Comparado em importância a designers como Joaquim Tenreiro e Sérgio Rodrigues, o arquiteto de origem polonesa chegou ao Brasil nos anos 1950 e criou a própria fábrica em 1959, L’Atelier, quando em São Paulo poucas pessoas tinham acesso ao bom design racionalista, inspirado na tradição bauhausiana.

O mercado, então habituado aos móveis de madeira e metal, viu surgir por meio do ateliê de Zalszupin uma cadeira empilhável de plástico chamada Hille, que traduz sua versatilidade e espírito visionário. “Ele foi um empresário avant-garde”, define a organizadora do livro Lissa Carmona Tozzi, atribuindo o relativo desconhecimento de seu nome pelas novas gerações à ausência de Zalszupin do mercado durante os anos que viveu em Paris. A autora do texto do livro, Maria Cecília Loschiavo dos Santos, lembra que ele não projetou apenas móveis com madeira curvada (ele foi pioneiro na técnica no país), mas objetos que rivalizam com o melhor design internacional. “Um exemplo disso é a poltrona Dinamarquesa, de 1959”, cita. O móvel adota como referência a escola escandinava (Hans Wegner e Finn Juhl em especial).

Se Zalszupin se preocupou com os interiores, a dupla de arquitetos João Carlos Cauduro e Ludovico Martino dedicou-se ao espaço urbano. Programação visual e desenho industrial foram as principais atividades do seu escritório, que criou as marcas da Villares (em 1967), do Metrô de São Paulo (1968), o símbolo da TV Cultura (1968), a marca do extinto Banespa (1975) e, por último, a sinalização vertical da avenida Paulista, a mesma que há 40 anos orienta moradores da cidade e turistas. Alterações sucessivas descaracterizaram os projetos da dupla tanto no Metrô como na Paulista – além do Zoológico, repaginado em 1972.

O autor de Design Total, que estagiou no escritório da dupla, encontrou lá material para escrever uma dúzia de livros. Apesar disso, o livro de Celso Longo é o marco zero ensaístico a respeito de uma obra que junta arquitetura, design e comunicação visual. O título do livro se refere à herança wagneriana da Gesamtkunstwerke (obra de arte total), utopia alemã que inspiraria os criadores da Bauhaus e chegou ao Brasil de forma modelar nos projetos de Cauduro e Martino, como o da avenida Paulista, que foi pensada por eles do princípio ao fim, dos totens sinalizadores aos pontos de ônibus e quiosques de fibra de vidro (hoje desativados). “O escritório deles funcionou por meio século, mas foram os projetos das décadas de 1960 e 1970 que definiram o trabalho de construção da visualidade moderna para São Paulo”, analisa o autor Celso Longo.

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