De médico e louco, todo mundo sempre tem um pouco

Dez da noite no People + Arts. Adam Sandler faz o passageiro que surta durante um vôo e é obrigado a fazer sessões de terapia com o doutor Jack Nicholson em Tratamento de Choque. Bom, se o psiquiatra é o louco de pedra de Um Estranho no Ninho, de Milos Forman - papel que lhe deu o Oscar -, você pode começar a duvidar da sanidade do sistema de saúde a que Sandler está sendo submetido. Peter Segal é o diretor e, além da dupla de astros, o filme também conta a participação de Marisa Tomei. Sandler é um bom ator que teve poucas oportunidades para demonstrar a extensão de seu talento. Nas raras vezes em que isso ocorreu - Embriagado de Amor, Click! -, ele conseguiu mostrar, o que Jim Carrey também faz, que os palhaços possuem um pathos todos especial na criação da tragédia. Mas a grande questão que o espectador deve ficar se perguntando é - o que faz Jack Nicholson, um dos maiores astros de Hollywood, aparecer num filme aparentemente tão indigno de seu talento? É a mesma pergunta que talvez se deva fazer a Robert De Niro, que também tem feito comédias que não são as preferidas dos críticos. Podem estar querendo apenas se divertir, ou então atingir o público jovem, alvo preferencial desses filmes.

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

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