Daniel Senise cria jogo de perspectivas com suas pinturas

Artista abre hoje sua primeira individual na Galeria Vermelho com série de obras ainda feitas a partir do processo de colagem

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2007 | 00h00

''''O que faço agora chamo de pintura por uma questão de facilidade'''', diz o artista Daniel Senise, que inaugura hoje sua primeira exposição na Galeria Vermelho, sua nova representante em São Paulo. O artista carioca, com uma trajetória de mais de 25 anos, vem realizando já há algum tempo obras em torno de um mesmo processo: faz em panos as impressões dos chãos dos locais onde trabalha - sudários, como ele os chama - e depois os recorta e os transforma em colagem dentro de suas composições. Os trabalhos, que, afinal, nos revelam imagens de ''''construções vazias ou de prateleiras'''', sempre nos tons marrons de pisos (de madeira ou de cimento, de onde foram tirados), têm o poder de criar um jogo entre perspectivas: ''''A perspectiva da obra não é coerente com a do lugar'''', diz Senise. Por meio dessa relação entre a obra, o espectador e o lugar cria-se uma nova questão de tempo, ''''o mistério e outras questões que não têm resposta'''', diz o artista. ''''O que está além do que está sendo representado é o que seria o tema da pintura'''', continua ainda Senise. ''''Estou no reino dela. Faço colagem pensando em como se faz para produzir uma pintura hoje'''', diz ainda o artista. Muitas das obras que ele exibe na Galeria Vermelho - 6 pinturas, 1 composição feita com 1.172 pequenas aquarelas representando um piso de tacos e 6 fotografias com inserções do artista - são de grande formato (uma delas, abrigada na sala principal da galeria, tem 5 metros de base por 4,65 metros de altura). A grande escala torna a relação com o espaço ainda mais interessante. ''''Não quero integrar as pinturas totalmente ao local, elas são representações, têm uma perspectiva autônoma para não se transformarem em uma ilusão do próprio espaço'''', afirma o artista. Outro ponto importante é o uso de um novo suporte além da madeira, a placa de alumínio, que também entra como elemento da composição. A entrada de Senise no time da Vermelho indica uma vontade de a galeria, que tem como perfil ser espaço para jovens artistas, dar um novo salto. ''''São cinco anos e meio de galeria. O eixo formado por Senise, Ana Maria Tavares, Rosangela Rennó e Maurício Dias & Walter Riedweg vem com peso. Eles são os pais dos jovens, da turma que já trabalhamos'''', diz Eliana Finkelstein, proprietária da Galeria Vermelho ao lado de Eduardo Brandão. A galeria também aumentou de tamanho: ganha novos 500 metros quadrados onde vai funcionar a partir de agora o espaço Tijuana, dedicado à exibição e venda de livros de artistas, e ainda área dedicada a fazer exposições com obras do acervo da galeria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.