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Cruz-Díez converte barco histórico em monumento em Liverpool

EFE

13 Junho 2014 | 16h 40

Artista venezuelano inaugura série de obras que relembram o centenário da Primeira Guerra Mundial

O reconhecido artista venezuelano Carlos Cruz-Díez, precursor da arte ótica, transformou em Liverpool o histórico barco Edmund Gardner em um monumento inspirado nas pinturas de navios usados na Primeira Guerra Mundial. Cruz-Díez comentou, na apresentação da obra, que se sente muito honrado de estampar seu desenho, uma interpretação contemporânea da “arte de camuflagem de guerra”, no navio histórico.

Paul Ellis/AFP Photo
Cruz-Díez converte barco histórico em monumento deslumbrante em Liverpool

O navio, encomendado por várias instituições culturais no centenário da Primeira Guerra, se dilui na paisagem marítima com uma forma quase imperceptível, ainda que resulte chamativo pela energia que emana da sua nova decoração. “Esses barcos tiveram um significado do passado que eu quis mudar”, apontou Cruz-Díez. “Foram barcos para escapar da morte, e hoje ele está aqui para o regozijo dessa cidade.”

O artista, de 90 anos, se inspirou na camuflagem apelidada de “dazzle”, inventada por Norman Wilkinson e utilizada a partir de 1917 para enganar os inimigos sobre o tamanho e posição dos navios. Construído em 1953 e conservado em perfeito estado, o Edmund Gardner é um navio que se utilizava para guiar a circulação de barcos no porto de Mersey, e é considerado uma jóia naval do museu marítimo do local.

“Sempre quis dizer que a cor não é algo pintado sobre a tela, mas sim uma circustância”, disse o artista. “A cor vai se fazendo, não está feita, é uma ambigüidade.”

Paul Ellis/AFP Photo
Cruz-Díez converte barco histórico em monumento deslumbrante em Liverpool

O artista, especializado na arte cinética (tendência que cria obras para produzir a ilusão de movimento), comentou que viveu muitos anos numa “sociedade de cegos”, mas que agora “começa a ser entendido pelas novas gerações”. Ele ainda confessou que, apesar de “velhinho”, se sente bem com a quantidade de projetos que tem, além de contar com obras expostas em coleções de grandes salas do mundo, como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), a galeria Tate Modern, em Londres, e o Centro Pompidou, de Paris.

A inauguração da obra faz parte de um programa amplo da cidade de Liverpool que lembra os cem ano da Primeira Guerra, que conta com filmes, espetáculos de teatro, dança e outras obras de arte.

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