Cor, Energia e... Bossa Nova

A pianista Maria Luiza Corker-Nobre sabe bem: quando o marido franze muito a testa e faz cara de transtornado, é porque está compondo. "Ele fica extremamente concentrado. É como se estivesse incorporando uma outra pessoa. Não pode ter barulho algum. É estressante para quem está ao redor", conta a mulher do compositor há 30 anos, que fez questão de fotográfa-lo, para que o próprio visse como seu semblante se modifica no momento da criação. Nobre escreve bastante sob encomenda. A rotina é a mesma desde o nascimento da filha, Karina: acorda com ela, às 6h30, e em seguida se debruça sobre a obra em andamento até a hora do almoço. O trabalho pode ser num dos dois pianos de sua sala de estar, na varanda ou no estúdio. Curiosamente, antes do nascimento da menina, Nobre, pianista de boate na juventude (tocava bossa nova), compunha das 22 horas às 6 da manhã, período mais silencioso do dia. Atualmente, ele burila o Concerto para Percussão e Orquestra, em três movimentos, encomendado pela Osesp. A estreia deve ser no fim do ano. Em novembro, Nobre estará no repertório da OSB, que homenageia seus 70 anos. O maestro e diretor artístico Roberto Minczuk o conhece há muito tempo, desde que era um trompetista de 11 anos - sua primeira trompa de qualidade foi Nobre quem deu, na condição de júri de um concurso de músicos. Em 2004, Minczuk o chamou para ser compositor residente do Festival de Campos de Jordão, para o qual Nobre escreveu a "enérgica e muito colorida" Kabbalaah. "Ele é alguém que leva o nome do Brasil pelo mundo todo. Domina a linguagem brasileira e consegue escrever músicas interessantes para o intérprete e bonitas de se ouvir", diz o maestro.

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

30 Março 2009 | 00h00

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