1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Centro Internacional de Fotografia nos EUA tem mostra de Caio Reisewitz

Camila Molina - O Estado de S. Paulo

26 Junho 2014 | 02h 00

Exposição em Nova York vai até o dia 7 de setembro

NOVA YORK - O reconhecimento, diz Caio Reisewitz, está vindo no momento certo. Artista, prefere definir-se, que trabalha com fotografia, ele realiza, até 7 de setembro, uma grande mostra individual em um dos templos do gênero fotográfico, o International Center of Photography (ICP) de Nova York. Não se trata de uma retrospectiva, mas há oito anos o curador da instituição, Christopher Phillips, queria promover uma ampla apresentação da produção do brasileiro, "de reputação internacional", escreve, no renomado centro americano.

A primeira fotografia - e a mais antiga - da exposição é Butantã (2003), trabalho que sintetiza algumas características da obra de Caio Reisewitz. "Pensei essa imagem em minha cabeça e fui atrás dela", afirma o paulistano, de 47 anos, no ICP. "Os gringos poderiam pensar: O que é isso? Prédios dentro da floresta? É esse truque que eu queria captar." De fato, um conjunto de edifícios parece se erguer de um horizonte verde e denso de árvores nesta criação, de grande escala (180 cm x 282 cm), a partir de um ângulo da realidade.

Divulgação
Serras e florestas - a natureza - são temas recorrentes na produção de Caio Reisewitz

É o campo fotográfico que permite a Reisewitz, como ele diz, explorar as bordas ou o limite da dúvida, através de sua obra. "Trabalho muito na margem da representação do real, no caminho de montar uma imagem que parece real, mas é artificial, ou o contrário”, explica o artista, apontando, na mostra, uma peça impressionante, Boituva (2008), clique aproximado de um pedaço de terra vermelha de barranco, no qual repousa uma folha seca. O tamanho da fotografia (232,3 cm x 180 cm) contribui para a estranheza - e beleza - do motivo.

Divulgação
Natureza. "Joaçaba" (2010)

Nesse sentido, a exposição no ICP, na verdade, destaca esse terreno da produção de Caio Reisewitz em que ele "assume" o duvidar. Boa parte da mostra apresenta uma produção mais recente do artista, baseada no desenvolvimento - ora mais, ora menos explícito - de colagens. "Para mim, a elaboração dessas obras está muito mais relacionada à pintura", diz.

Em um dos trabalhos expostos, por exemplo, plantas transbordam, artificialmente, do interior da Casa das Canoas de Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro. É uma imagem montada e essa característica é evidente - entretanto, não é sempre que temos essa certeza ao longo do percurso da exibição em Nova York. Basta chegar perto de outras obras, como Sucupira (2011) e Paretinga (2010), para identificarmos, em meio ao registro de matas exuberantes, fragmentos de imagens da cidade de Goiânia. "A fotografia é muito poderosa, ela é um objeto que representa uma realidade, mas que nesta dimensão se torna bombástica", define o artista fotógrafo, considerando ser esta a razão de a potência do gênero fotográfico ser tão reconhecida atualmente “dentro da arte contemporânea".

Divulgação
É inegável que o trabalho de grande escala de Reisewitz, com formação na Alemanha, tenha sofrido a influência da estética e do romantismo alemães

Poder. Serras e florestas - a natureza - são temas recorrentes na produção de Caio Reisewitz, mas a arquitetura também se faz presente como um dos campos de interesse do brasileiro. Tanto que estão na entrada da exposição criações nas quais ele ressalta a grandiosidade estática e imponente de interiores de construções brasileiras como o Real Gabinete Português, a Igreja São Francisco de Assis de Ouro Preto (representada por seu teto, pintado por Mestre Ataíde) e o Palácio do Itamaraty em Brasília. "São obras que apresentei na Bienal de Veneza, sobre as 'Utopias Ameaçadas', que era a representação do poder do Brasil através da arquitetura”, conta o artista, representante do País na 51.ª edição da mostra italiana, em 2005.

É inegável que o trabalho de grande escala de Reisewitz, com formação na Alemanha, tenha sofrido a influência da estética e do romantismo alemães, mas desde sempre interessaram ao curador do ICP as qualidades que diferenciam o paulistano dos europeus. Próximo (intimamente) de fotógrafos como Andreas Gursky, Thomas Struth e Candida Höfer, o brasileiro considera que sua conduta é própria. Ele agrega o truque ("trick", diz, em inglês) à beleza.

Você já leu 5 textos neste mês

Continue Lendo

Cadastre-se agora ou faça seu login

É rápido e grátis

Faça o login se você já é cadastro ou assinante

Ou faça o login com o gmail

Login com Google

Sou assinante - Acesso

Para assinar, utilize o seu login e senha de assinante

Já sou cadastrado

Para acessar, utilize o seu login e senha

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão

Quero criar meu login

Acesso fácil e rápido

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha

Esqueci minha senha

Acesso fácil e rápido

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo

Cadastro realizado

Obrigado, você optou por aproveitar todo o nosso conteúdo

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail. Clique no link fornecido e crie sua senha

Importante!

Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail esta ativado

Quero me cadastrar

Acesso fácil e rápido

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo