Carlo Allegri/Reuters
Carlo Allegri/Reuters

Brooke Shields, entre obras de Haring, aprende a arte de colecionar

Atriz, que se tornou mundialmente famosa por causa do filme 'A Lagoa Azul', passou a frequentar feiras de artes e leilões, em um mercado estimado em US$ 45 bilhões

Robin Pogrebin, The New York Times

02 Maio 2017 | 09h19

Andar com a atriz Brooke Shields, 51, pela sua casa em West Village é estar na companhia de alguém que está se iniciando na arte de colecionar. Ela não frequenta feiras de arte, e os leilões dos quais participou foram os realizados na escola de suas filhas. Em um mercado de arte global estimado em US$ 45 bilhões, o máximo que ela despendeu foi numa pintura que custou sete mil dólares.

Quadros de Keith Harings e Andy Warhol nas paredes não foram compras, mas presentes dos artistas, que foram seus amigos desde quando era uma adolescente e modelo famosa. Brooke Shields, hoje com 51 anos, percebeu que essas peças têm muito mais do que apenas valor sentimental. E através do seu crescente envolvimento com a Academia de Arte de Nova York, de cuja diretoria faz parte desde o ano passado, Brooke Shields começou a levar a arte de colecionar mais a sério.

As peças de Harings que ela possui incluem um coração sobre sua cama com a inscrição, “Para Brooke, Feliz Natal 1984, e um Buda no estudo do seu marido, Chris Henchy, onde está inscrito: “Para Brooke...uma das pessoas mais doces que conheci, com muito amor e respeito”. Um quadro de Andy Warhol está na lavanderia.

Quando era modelo, Brooke passou muito tempo cercada de fotógrafos conhecidos como Richard Avedon, que fotografou seus anúncios para a Calvin Klein Jeans. Ela e sua mãe festejavam o Dia de Ação de Graças com o fotógrafo de moda Bruce Weber.

Mas Brook começou a colecionar arte de modo mais consciente na Academia de Arte, onde preside o seu baile beneficente, o Tribeca Ball, que este ano homenageou o artista Will Cotton. O marido de Brooke encomendou de Cotton os retratos de suas duas filhas como presente de aniversário para a atriz.

- Como você começou a se interessar por arte?

Foi pelas mãos da minha mãe, e não de um ponto de vista acadêmico. Ela nunca frequentou uma faculdade, não estudou arte, mas tinha um olho para pessoas, artistas, moda. Éramos como criancinhas em um playground.

Você deve ter passado por um mural de Harings, “Crack is Wack”, no campo de handebol no Harlem quando ia para a escola em Nova Jersey.

Minha mãe me dizia: “preste atenção Brooke, não tem nenhum Grafite sobre o mural. É o respeito pela obra dele e merecido.

Haring e Warhol fizeram parte integral da sua vida?

Eles nunca recusaram um convite para uma festa de aniversário e sempre traziam presentes. Tive muita sorte de esses artistas se tornarem parte da minha família.

Recentemente você passou a avaliar a compra de algum quadro com ajuda de um amigo consultor de arte. Como fazia antes?

Conversava com meu amigo a respeito. Houve um período em que desejava adquirir uma obra de Peter Beard, mas eram muito caras. E eu me perguntava: “por que estou querendo este quadro? Porque é cool ou porque todo mundo está dizendo que tenho de ter um? Na verdade, gostaria de ter uma peça de Damian Loeb - que tem uma fantástica exposição na galeria Acquavella. Mas o valor das peças é um pouco proibitivo.

Você pensa em arte como investimento?

Às vezes, quando estou sem trabalho ou a situação fica um pouco mais apertada, agradeço a Deus por minha mãe ter mantido aquele Haring, porque, se as coisas complicarem e eu necessitar dispor dele, você sabe...”

“Mas na verdade, não no caso das peças que são presentes dos artistas, neste caso, não acho que existe algum valor de revenda dessas obras que eu gosto. E tudo bem”.

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