Bienal sem rumo

Críticos e curadores comentam a incômoda indefinição a respeito da próxima Bienal de São Paulo

Maria Hirszman e Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2007 | 00h00

Estamos a cerca de um ano para a abertura prevista da 28ª Bienal de São Paulo. E até este momento ainda não foi definido o nome do curador responsável pela concepção e desenvolvimento da mostra. Após passar por uma série de turbulências, a instituição vem enfrentando dificuldades para conseguir repetir o modelo de definição da curadoria baseado não mais em escolha pessoal da presidência, mas em uma espécie de concorrência entre os projetos, como ocorreu na realização da 27ª Bienal, em 2006. Diversos especialistas da área foram convidados para participar desse processo, mas o índice de recusa tem sido extremamente elevado. Dentre as razões apontadas pelos curadores convidados destaca-se a incapacidade de se montar um projeto sério em tão pouco tempo e com garantias precárias de realização do evento. Outro fator não menos importante é a preocupação generalizada no circuito de arte contemporânea, em relação à crise vivenciada pela instituição nacional. Crise que tem dimensões conjunturais - conflitos internos, denúncias que envolvem a presidência da Bienal -, mas também envolve uma discussão bem mais ampla sobre o papel de um evento como este. A reportagem do Estado discutiu com críticos e curadores (alguns deles convidados pela fundação para apresentarem projetos curatoriais para a 28ª Bienal) os motivos da ampla recusa, assim como colocou em questão o tema do papel da realização de Bienais. Três desses entrevistados aceitaram discutir mais detalhadamente o tema. Outros, que confirmaram terem recusado o convite da Fundação Bienal de São Paulo, preferiram não entrar no debate no momento. Aceitaram participar da matéria: Tadeu Chiarelli, professor da ECA-USP, curador e diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo; Solange Farkas , curadora e criadora do Videobrasil - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, ; e Agnaldo Farias, professor da FAU-USP e curador independente. Se há uma opinião unânime entre os vários curadores consultados é a necessidade de se repensar os objetivos, finalidades e o perfil que se deseja para o evento. Além dos curadores convidados pelo Estado, a reportagem enviou uma série de perguntas para Jacopo Crivelli Visconti, curador da Fundação Bienal de São Paulo e responsável por responder pela instituição. A Fundação Bienal de São Paulo se vê enfraquecida depois da série de escândalos envolvendo a gestão de Manoel Pires da Costa. O atual presidente da instituição, agora em seu terceiro mandato, teve dificuldades para se reeleger. O estopim da crise, em abril, foi o fato de a empresa privada de Pires da Costa, a TPT Comunicações e Editora Ltda, ser a responsável pela publicação da revista Bien''''art, veículo diretamente ligado à Fundação. A edição da revista foi suspensa e outras denúncias de fraudes passaram pela avaliação do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Conselho da Fundação Bienal. Pires da Costa foi absolvido pelos dois órgãos e se reelegeu em junho.

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