DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo é inaugurada em São Paulo

Evento contou com as presenças dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Souto de Moura

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2016 | 21h02

Sob o tema Deslocamentos, a 10.ª Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo (Biau) foi inaugurada nesta segunda-feira, 10, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, com a presença de dois grandes arquitetos, Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Souto de Moura. Ambos premiados com o Pritzker, o Nobel da arquitetura - o brasileiro foi vencedor do premio em 2006 e o português, em 2011 -, eles falaram de improviso para uma plateia de admiradores durante a abertura do evento, que ocorre apenas até quarta-feira, 12, e é realizado pelo Governo da Espanha. 

"A mobilidade, a possibilidade de as pessoas gozarem da cidade toda, efetivamente, é fundamental quando você considera que é muito antigo o metrô, o pobre metrô de São Paulo, pobre porque são 70 km quando deveria ser 300 km", disse Paulo Mendes da Rocha ao Estado pouco antes de seu colóquio ao lado de Eduardo Souto de Moura. "Um dos grandes paradigmas da arquitetura é antes de mais nada amparar a imprevisibilidade da vida e a chave da liberdade de cada um aumenta muito com a facilidade do transporte", completou o arquiteto, desenvolvendo algumas considerações sobre a questão do Deslocamentos proposta pela Biau.

Tem sido, afinal, um ano muito especial para Paulo Mendes da Rocha, de 87 anos. Além de ter recebido o Leão de Ouro da 15.ª Bienal de Arquitetura de Veneza, outra grande consagração da área como o Pritzker de 2006, o brasileiro ganhou o Praemium Imperiale da Associação de Artes do Japão e foi anunciado recentemente vencedor da medalha de ouro do Royal Institute of British Architects (Riba), a ser entregue no início de 2017.

"Esse prêmio (o Leão de Ouro) usa as pessoas, não é feito para as pessoas, é uma forma de anunciar para o mundo discursos, seja na área da ciência, da dança, da arquitetura, que interessam como contribuição ao conhecimento", comenta. "É muito comovente e você se sente lisonjeado, mas é intrigantemente uma questão de caráter politico-cultural".  Para Paulo Mendes da Rocha, as premiações internacionais contribuem, afinal, para a consciência de que "nós todos somos habitantes desse planeta". "Ser político é essência da questão da linguagem", conclui o arquiteto.

"A coerência na obra de Paulo Mendes da Rocha não é por uma teimosia, é porque ele acredita em valores", comenta Eduardo Souto de Moura. "Primeiro está o homem e depois o arquiteto e isso que eu admiro em Paulo". Para o arquiteto português, o premiado brasileiro contribuiu muito para o atual interesse mundial pela arquitetura latino-americana. "A arquitetura não é uma disciplina de contemplação, está ligada à vida das pessoas".

A Biau vai promover até quarta-feira um ciclo de conferências em São Paulo e, ainda, premiar 26 trabalhos de 10 países. Do Brasil, foram escolhidos como vencedores a Casa Vila Matilde (Terra e Tuma Arquitetos Associados); Vertical Itaim (Marcio Kogan e Carolina Castroviejo); Minimod Catuçaba (Mapa Arquitetos); e a revista Monolito, editada por Fernando Serapião.

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