1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Batalha judicial por escultura de Pablo Picasso tem reviravolta nos EUA

- Atualizado: 15 Março 2016 | 11h 55

Negociante britânico exigiu do marchand Larry Gagosian que entregue a obra, da qual se considera proprietário

'Buste de femme (Marie Thérèse), de Picasso, em exibição no MoMA
'Buste de femme (Marie Thérèse), de Picasso, em exibição no MoMA

A batalha judicial em Nova York por uma escultura de Pablo Picasso estimada em mais de US$ 100 milhões sofreu nova reviravolta, quando um negociante britânico exigiu do marchand americano Larry Gagosian que entregue a obra, da qual se considera proprietário.

Na sexta-feira, 11, a empresa britânica Pelham Europe exigiu de um juiz federal a "transferência" da escultura Buste de femme (Marie Thérèse) e uma indenização de valor não especificado por perdas e danos. A Pelham Europe garante ter fechado um acordo de compra com uma filha de Picasso anterior a outro firmado com Gagosian.

A obra, de 1931, ficou em exibição até fevereiro passado no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) por ocasião da maior exposição dedicada a esculturas de Pablo Picasso em 50 anos. Atualmente, encontra-se em poder de Gagosian.

O marchand americano diz que comprou Buste Femme (Marie Thérèse) por mais de US$ 100 milhões da filha do artista Maya Widmaier-Picasso em maio de 2015 e que, em janeiro passado, recorreu à Justiça para ser reconhecido como seu único proprietário.

Fundada e dirigida por Guy Bennett, ex-especialista da casa de leilões Christie's, a Pelham Europe afirmou ter concluído em novembro de 2014 um acordo de venda com Widmaier-Picasso de US$ 36,9 milhões.

A Pelham Europe teria pago US$ 6,5 milhões antes que a filha do artista anulasse a venda, em abril de 2015, e fizesse uma segunda transação pela obra em segredo, um mês mais tarde, com Gagosian.

Enquanto Gagosian aponta para uma cláusula do contrato com Pelham prevendo que a transação seria concluída apenas se todo o valor fosse pago, a empresa britânica considera ter os direitos da obra e já entrou na Justiça na Suíça e na França.

Pelham também denuncia que Gagosian tenha revendido a escultura pouco depois para León Black, empresário americano e colecionador de arte. A imprensa identificou Black como o comprador, em 2012, de uma das quatro versões da famosa pintura "O grito", de Edvard Munch.

Em sua apresentação diante do juiz na sexta-feira, a Pelham exigiu que se ordene "uma declaração de que a Galeria Gagosian não é a proprietária da escultura e não tem uma prioridade de reivindicação em relação à Pelham".

Pede ainda "uma sentença ordenando a transferência para a Pelham do título de propriedade da obra e a posse física da escultura", além do pagamento de indenização e ressarcimento pelos gastos com advogado.

Antes do fim da mostra do MoMA em 7 de fevereiro, o juiz William H. Pauley III determinou a Gagosian que a escultura não poderia ser transferida de Nova York sem aviso prévio a Pelham de "pelo menos dez dias úteis".

 

 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em CulturaX