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Ateliê do pintor espanhol Joan Miró é recriado em Londres

- Atualizado: 18 Janeiro 2016 | 19h 50

Móveis e objetos que acompanharam o pintor surrealista em seu trabalho diário foram reproduzidos

A luz de Londres não é a de Maiorca, mas o estúdio que o pintor espanhol Joan Miró tinha no ensolarado arquipélago mediterrâneo resplandece na galeria de arte da capital britânica que acaba de reconstruí-lo nos mínimos detalhes.

Os móveis e objetos que acompanharam o pintor surrealista em seu trabalho diário foram reproduzidos detalhadamente pela Mayoral, uma galeria de Barcelona que se instalou para a ocasião na Great Duke Street. Vinte e cinco quadros do pintor completam o cenário, recriado para comemorar o 60º aniversário da construção do ateliê que teve grande importância na carreira de Miró (1893-1983), nascido em Barcelona e morto em Maiorca, seu lugar no mundo, onde se pode visitar o ateliê original, localizado na baía de Palma, de frente pro mar.

"O estúdio deu a Miró um ambiente de trabalho muito apropriado. Quando fechava as portas, sabia que cortava qualquer contato com o mundo e entrava em seu universo imaginário", lembrou seu neto, Joan Punyet Miró, que corria pelo estúdio e às vezes achava um brinquedo que o avô tinha tomado emprestado porque lhe servia de inspiração.

Designers montam réplica do ateliê do artista espanhol Joan Miró, em Londres
Designers montam réplica do ateliê do artista espanhol Joan Miró, em Londres

Em 1938, Miró falou sobre o sonho de ter um grande estúdio. À época, ele vivia em Barcelona após passar um tempo em Paris, período no qual estabeleceu um forte amizade com Pablo Picasso. A Espanha estava em plena Guerra Civil e, ao final, com a vitória de Francisco Franco e o estabelecimento da ditadura, outro grande amigo, o arquiteto Josep Lluis Sert, havia ido para o exílio, em Nova York.

Em 1956 Miró se instalou definitivamente em Maiorca após ter vivido em vários lugares da França e da Espanha. Agora quer que Sert, discípulo de Le Corbusier, dê forma a seu sonho. "Miró gostava muito de Sert e queria muito que ele desenhasse o estúdio, mas era muito discreto e tímido, e não queria incomodar o amigo. Foi sua esposa, Pilar, que tomou a iniciativa e escreveu a Sert, que aceitou sem pestanejar", narrou Diana Jové, da galeria Mayoral.

As cartas entre o arquiteto e o pintor podem ser vistas na instalação da galeria Mayoral, e outros objetos de interesse, além dos quadros, como uma reprodução de um sol feito de palha. Este artesanato agradou tanto Miró e seus amigos, que Picasso e o escultor Alexander Calder também tinham um em seus ateliês. O estúdio se abre ao público em 21 de janeiro, até 12 de fevereiro, e depois viajará para Nova York (3 a 8 de março).

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