MAM/RJ
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Artistas não querem que museu venda tela de Pollock

Um manifesto que pede um ‘choque de gestão’ no MAM carioca já reúne 150 nomes, entre eles Waltercio Caldas

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2018 | 06h00

Única tela do pintor expressionista abstrato norte-americano Jackson Pollock (1912-1956) existente no Brasil, a pintura de número 16, que pertence ao acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), foi colocada à venda e despertou reações iradas de artistas, curadores, museólogos e órgãos oficiais como o Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). A tela, doada ao museu carioca pelo milionário norte-americano Nelson Rockefeller, em 1954, é avaliada em US$ 25 milhões, valor que deverá ficar num fundo administrado por uma instituição financeira e cujos rendimentos, segundo a diretoria da instituição, vão tornar o MAM, fundado há 70 anos, autossustentável pelas próximas três décadas.

Primeiro órgão governamental a se pronunciar contra a venda. Ontem, ao Estado, Araújo reiterou o que dizia a nota oficial, condenando a venda da obra de Pollock e sugerindo a suspensão da decisão do conselho do museu, oferecendo-se para pensar de forma conjunta outras soluções possíveis para a crise financeira que levou o MAM carioca a se desfazer da pintura. “Qualquer argumento para justificar a venda, mesmo o de que o foco do museu é a arte moderna e contemporânea brasileira, é uma falácia, pois o MAM nasceu como um museu internacional.”

O artista carioca Waltercio Caldas, que começou sua carreira como aluno de Ivan Serpa no MAM carioca, concorda. Ele e outros 150 artistas, curadores e nomes importantes da área assinaram um manifesto sugerindo um ‘choque de gestão’ no museu. “O MAM sempre esteve em dificuldades, mas devemos buscar outras soluções para resolver a crise, e não vender o único Pollock que temos no Brasil.” Embora seja um museu privado e possa se desfazer de seu acervo, a decisão provocou um trauma no meio artístico.

O pintor paulista Paulo Pasta defende que a venda da obra “abrirá um precedente sério”, revelando, segundo o artista, um comportamento predatório da elite brasileira. “Por que não tentar outras soluções, como a compra e doação da pintura, por exemplo?”

O Masp – Museu de Arte de São Paulo – estava em situação semelhante há dois anos e conseguiu pagar suas dívidas ao criar o primeiro endowment de museus do País, arrecadando R$ 17 milhões em um ano, o que garantiu ao museu paulistano não só o equacionamento das dívidas, mas um caixa de R$ 20 milhões.

Encontrar um meio de gerir o último, replicando o exemplo do museu de São Paulo. Afinal, muitos museus brasileiros estão descapitalizados e com problemas de administração de recursos. Só um ‘choque de gestão’ no MAM carioca sugerido pelos artistas poderá conservar Pollock em seu acervo, dizem.

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