REUTERS/Damir Sagol
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Artista cria templo do ar limpo para purificar o céu de Pequim

A ambição de Roosegaarde é que, em breve, este dispositivo faça parte da paisagem de Pequim e outras cidades chinesas e que contribua para aliviar assim os problemas de poluição atmosférica

EFE

04 Outubro 2016 | 11h50

PEQUIM, China - É uma torre de sete metros, com um design que mistura inspiração das formas de arquitetura clássica chinesa com um toque futurista, e aguarda uma missão titânica: purificar o céu de Pequim, um dos mais poluídos do mundo.

"É o templo do ar limpo", disse seu criador, o artista holandês Daan Roosegaarde, ao apresentar à imprensa o maior purificador atmosférico do mundo, o chamado Smog Free Project, durante a Semana Internacional do Design da capital chinesa.

A ambição de Roosegaarde é que, em breve, este dispositivo faça parte da paisagem de Pequim e outras cidades chinesas e que contribua para aliviar assim os problemas de poluição atmosférica que sofrem.

"O dano que a poluição faz à cidade é gigantesco. Morre mais gente pela poluição do que pelo câncer e a malária juntos. É uma loucura e não deveríamos aceitar isso", advertiu o artista holandês.

Com capacidade para limpar, com 75% de efetividade, cerca de 30 mil metros cúbicos de ar por hora, a torre purificadora filtra em um dia um volume equivalente ao ocupado por um estádio de futebol, embora seu rendimento dependa das condições meteorológicas, especialmente do vento, e do nível de poluição.

"Esta beleza não utiliza mais eletricidade que um aquecedor de água e a próxima versão será energeticamente neutra, com painéis solares", explicou Roosegaarde.

Na China, está se transformando em habitual que haja purificadores de ar em espaços fechados como escritórios, restaurantes, lojas, escolas e inclusive imóveis, mas nunca alguém tinha tentado instalar um no exterior.

Até o próximo mês de novembro, a criação do artista holandês, uma enorme estrutura metálica que absorve o ar poluído e o libera sem as partículas poluentes, limpará o céu do distrito artístico 798 de Pequim.

Depois, visitará outras cidades do gigante asiático para promover perante as autoridades locais um produto que, segundo seu criador, tem possibilidades de ser comercializado.

"A província de Hebei está muito interessada, a área de Shenzhen também", antecipou o artista holandês.

Ao contrário dos purificadores de ar que são vendidos na China, que passam o ar por um filtro antes de devolvê-lo limpo, o de Roosegaarde é muito maior, já que é pensado para o exterior, e também utiliza uma tecnologia distinta, chamada "ionização positiva".

"Há íons positivos, muito pequenos, em uma escala nano, que carregam positivamente as partículas (de poluição) e há uma superfície de carga negativa que as atrai. Esta é a única forma de criar grandes volumes de ar limpo de forma segura e sustentável", detalhou o artista.

"Usa o mesmo princípio que um balão de ar que, ao esfregá-lo, gera eletricidade estática e atrai o pelo", resumiu Roosegaarde.

Além disso, os resíduos das partículas de poluição retiradas do ar foram compactadas e serão inseridas em anéis e pingentes que serão colocados à venda para conscientizar sobre a gravidade do problema e ajudar a financiar a fabricação de mais purificadores.

"Um anel é feito do smog que colhemos limpando mil metros cúbicos de ar", afirmou o artista, que acrescentou que "ao presentear com um anel, será doado mil metros cúbicos de ar limpo".

Roosegaarde, que já havia criado em 2008 uma "pista de dança sustentável" que se iluminava com a energia gerada pelos passos dos que a pisavam, confessou que teve a ideia do Smog Free Project durante uma visita a Pequim em 2013, em um dia de intensa poluição.

"A ideia era muito fácil, mas levei dois anos e meio para transformar essa ideia em um objeto", lembrou o artista holandês.

Designers, engenheiros e especialistas na fabricação de purificadores trabalharam neste projeto que deu seu primeiro fruto em Roterdã no ano passado, mas sempre com vistas a devolver a ideia a seu lugar de origem, China, onde é mais necessário.

"A princípio não havia cliente, ninguém estava disposto a se envolver, portanto tivemos que construir o primeiro nós mesmos em Roterdã e, quando ficou conhecido, o governo (chinês) prestou atenção", afirmou o responsável do Smog Free Project.

Nesse sentido, o artista comemorou a transformação na forma de enfrentar a poluição das autoridades chinesas. "A China mudou sua mentalidade com relação à poluição, há cinco anos não se podia falar disso".

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