Claudio Reyes/AFP
Claudio Reyes/AFP

Artista chinês Ai Weiwei leva seu olhar crítico para o Chile

Mostra 'Inoculación' reúne 30 obras das obras mais importantes da sua produção, como Instalações icônicas, esculturas, objetos, fotografias e vídeos

AFP

16 Maio 2018 | 22h45

Com o título Inoculación, o artista chinês Ai Weiwei apresenta no Chile 30 de suas obras mais relevantes, que se tornaram um grito contra a repressão e a violação dos direitos humanos.

Ai Weiwei transformou a arte em um "processo de compromisso social, expressão coletiva, testemunho histórico e em um modo de resistência", diz o curador da exposição, o brasileiro Marcello Dantas.

O título desta mostra itinerante, cuja passagem pela América Latina começou em dezembro em Buenos Aires, não foi escolhido por acaso.

"A inoculação é uma ideia associada à concepção, ao vírus e à patologia", afirmou Dantas em uma conferência de imprensa junto com o artista chinês no centro cultural CorpArtes, que recebe a mostra de 18 de maio a 9 de setembro.

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"A inoculação é o começo de uma transformação que é introduzida de fora, mas que transforma o interior", explica nesta quarta-feira em Santiago na apresentação da exposição.

Instalações icônicas, esculturas, objetos, fotografias e vídeos integram esta exposição com 30 das obras mais representativas do artista, de 61 anos. 

Entre elas, a instalação Sementes de Girassol (Sunflowers Seeds, 2010), composta por 15 toneladas de sementes de porcelana feitas à mão por 1.600 artesãos de Jingdezhen, a capital chinesa da porcelana.

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Outra instalação, Bicicletas para Sempre (Forever Bicycles, 2015) foi construída com mais de 1.000 bicicletas de aço unidas em uma composição monumental.

Outro tema que preocupa AI é o das migrações. No final do ano passado, o artista apresentou o documentário Maré Humana  (Human Flow) sobre a crise mundial dos refugiados.

Em Santiago apresenta Lei da Viagem (Law of the Journey, Prototype B, 2016), um bote inflável de 16 metros de comprimento carregado de mulheres, homens e crianças migrantes, de PVC preto, que evoca as precárias embarcações utilizadas por refugiados que tentam chegar à Europa.

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Em outro edifício da capital chilena, o Arquivo Nacional, as colunas estão cobertas por cerca de 2.000 coletes salva-vidas utilizados pelos refugiados que chegaram à Europa pelo Mediterrâneo.

"Como seres humanos todos somos abusados de uma forma ou outra" e "você tem que estar preparado para defender a integridade de outros seres humanos" em situações que o requeiram, o que não "tem nada a ver com o fato de ser artista", lembrou Ai em Santiago.

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