Amor, simpatia e canções redondas

Só pelas três primeiras músicas já valia a pena ter visto a apresentação do Magic Numbers na noite de estréia do primeiro Festival Indie Rock, anteontem na Via Funchal. Emanando carisma e disposição, o quarteto britânico abriu o show com uma sedutora seqüência dançante: This Is a Song, Take a Chance, do novo álbum, Those the Brokes, e Forever Lost, do primeiro. Bom, mas ''''queimar'''' três hits de cara poderia fazer o show perder a resistência, mas não foi o que aconteceu. Mais adiante teve até um momento simpatia, quando o vocalista e guitarrista Romeo Stodart (temerosamente) anunciou que eles cantariam uma canção brasileira e que gostariam de ouvir o coro da platéia. Ufa! Não foi Garota de Ipanema. Não foi Mas Que Nada. Não foi nenhum sambinha de gringo, mas a pop e bela Baby, de Caetano Veloso, de quem Romeo já se declarou admirador. Cantada em ''''portuglês'''', fez lembrar quando o Belle & Sebastian mandou ver covers da mesma Baby e de A Minha Menina (Jorge Ben via Mutantes) no Free Jazz Festival. De repertório alheio, o Magic Numbers ainda surpreendeu os fãs (em número pequeno, mas nem por isso desanimado) ao fundir People Get Ready, clássico do soul, com a encantadora balada Love''''s a Game. E mais para o fim, uma sensacional versão de Crazy in Love, de Beyoncé. Ao lado da power ballad Undecided, foram os ''''números mágicos'''' mais próximos da soul music, cuja influência predomina no novo álbum. No palco, eles se inclinaram mais para o lado roqueiro, com enérgicos e cativantes riffs de guitarra, graciosos vocais femininos de Angela Gannon e de Michele Stodart, esta um show à parte no baixo, e uma bateria eficiente, mas discreta de Sean Gannon. As harmonias vocais, em trio ou solos, é um dos melhores atributos da banda. O momento acústico com Wheels on Fire, em versão bem parecida com a do CD, mas sem a bateria, é uma mostra disso. Daí certas comparações (que eles detestam) com Mamas & Papas, além do visual hippie, da influência do pop-rock dos anos 60 e das silhuetas roliças. Sem forçar o trocadilho, eles têm muitas canções de amor redondas, sejam baladas ou rocks acelerados, como Mornings Eleven, que arrebentou no final. Podem falar o que for sobre esse lance de ''''o fim da era da canção'''' e tal. Uma banda ''''fofa'''' como o Magic Numbers é deixa evidente que o poder de um acorde menor e um vocal afinado e harmônico é muito superior a qualquer falação ritmada com scratches.S

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.