A boa surpresa da paulistana Hurtmold

Banda instrumental empolgou o público e chamou a atenção de Romeo Stodart

Adriana Del Ré, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2028 | 00h00

O primeiro dia do Festival Indie Rock começou pontualmente às 21h30, na Via Funchal, com platéia esvaziada. A banda carioca Moptop foi a primeira a se apresentar e tentou manter a empolgação, mesmo diante de meio gato pingado de público, àquela altura formado por um aglomerado de fãs na frente do palco e muitos jornalistas espalhados por aquele vácuo. Um desses grupos nacionais queridinhos da MTV, no mesmo balaio de NXZeros e Fresnos da vida, o Moptop não é de todo ruim. Faz um pop rock OK, melhorou muito sua performance de palco, mas soa ser banda de uma música só. De canção a canção, seu som parece se repetir em guitarras, baixo e bateria pouco criativas. Formado em 2003, o Moptop é um quarteto que se define como tendo o pé na cultura beat e ouvidos no rock. Melhor mesmo foi a atração nacional seguinte: o grupo instrumental paulistano Hurtmold. Ele deveria ter aberto a noite, até por um coerência de ritmo à seqüencia de shows. Pouco conhecido - condição lamentavelmente corriqueira entre bandas que flanam no cenário indie -, o coletivo Hurtmold costura sua sonoridade a partir de experimentalismos. Por isso, fica difícil enquadrá-lo num único estilo, que não é nem só rock, nem só eletrônico. Eles próprios preferem não se encaixar em nenhum rótulo. Foi uma grata surpresa. E o público paulistano foi generoso, ouvindo com atenção aquele som que tinha tudo para causar estranhamento num festival de rock, sobretudo por vir no encalço do Moptop. Na estrada há quase dez anos, vale a pena dar nome aos bois desse coletivo, conduzido por ótimos músicos. Tem Guilherme Granado no teclado, vibrafone e escaleta; Maurício Takara na bateria, vibrafone e trompete; Marcos Gerez no baixo; Mário e Fernando Cappi nas guitarras; e Rogério Martins na percussão e clarinete. Influenciados por bandas como Chicago Tortoise, criaram um post-rock instrumental, cheio de improvisos e trocas de instrumentos entre os músicos durante seus shows. A liberdade de expressão é que conduz o trabalho da trupe, que tem quatro discos independentes na praça. O som deles também chamou atenção do ótimo Magic Numbers. O guitarrista e vocalista Romeo Stodart citou as bandas nacionais que os antecederam, com menção especial a uma banda cujo nome ele esqueceu num primeiro momento. Mas logo se lembrou: Hurtmold. Sob as bênçãos de Magic Numbers, o grupo instrumental merece ser descoberto.

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