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Regra do Jogo revolta portadores de esclerose múltipla

"Romero não sente nada. Passa estresse, pressão, sofre espancamentos, tem duas mulheres e é uma máquina de fazer sexo. Meu medo é virar chacota", desabafou uma portadora

Pedro Venceslau

28 Janeiro 2016 | 17h30

SAO PAULO / 31/08/2015 / CADERNO 2 / Cena da novela Regra do Jogo /  Romero ( Alexandre Nero ). Crédito: Globo/João Miguel Júnior

 Crédito: Globo/João Miguel Júnior

Quando o ex-vereador, ativista e gângster Romero Rômulo foi diagnosticado com esclerose múltipla na novela “A Regra do Jogo”, no começo de setembro, os portadores da doença acreditaram que o folhetim entraria de cabeça no tema.

A expectativa era que o roteiro tratasse do assunto com o cuidado, respeito e profundidade que fizeram da teledramaturgia da Globo uma referência internacional na “difusão de conhecimento” sobre questões delicadas.

A própria emissora, afinal, difunde a responsabilidade social como um lema. “Desde 1995, só nas telenovelas foram mais de 12 mil cenas de conteúdo socioeducativo, incluindo “Malhação”, que representa aproximadamente 30% das inserções a cada ano. A prática inovadora do Merchandising Social deu à TV Globo, em 2001, o Business in the Community Awards for Excellence, o mais conceituado prêmio de Responsabilidade Social do mundo, na categoria Global Leadership Award”, diz um texto publicado no site do canal.

Quase cinco meses depois de Romero receber o diagnóstico, porém, a comunidade dos portadores de esclerose múltipla se revoltou com “A Regra do Jogo”. Em grupos de debates nas redes sociais e em vídeos publicados no Youtube a reclamação é a mesma: a novela esqueceu da doença.

“Quando surgiu a possibilidade da novela falar sobre a doença, toda a comunidade ficou satisfeita pois era algo desconhecido. As pessoas associam (a esclerose múltipla) com demência e enlouquecimento, o que não é verdade”, disse Kennia Ravaioli em um vídeo postado no dia 21 e que já tem mais de 30 mil compartilhamentos.

“A novela se perdeu no assunto, que só foi tratado em dois capítulos. Romero não sente nada. Passa estresse, pressão, sofre espancamentos, tem duas mulheres e é uma máquina de fazer sexo. Meu medo, como portadora, é virar chacota. As pessoas não sabem a fadiga extrema que nós sentimos”, diz ela, em seu “recado para os autores”.

A Globo, que em O Portador” (1991) foi ousada ao falar sobre a urgência da prevenção à Aids; em “Laços de Família” (2000) incentivou a doação de medula óssea, em “O Clone” (2001) tratou sem retoques da dependência química e em”Páginas da Vida” (2006-7) incorporou com delicadeza a temática da Síndrome de Down, dessa vez não deu o mesmo tratamento à esclerose múltipla.

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