MasterChef Brasil renega a receita original
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MasterChef Brasil renega a receita original

Esqueça o cardápio e divirta-se. Quem quiser ver um programa de comida que procure o The Taste Brasil, da GNT, ou a versão australiana do próprio Master Chef

Pedro Venceslau

20 Maio 2015 | 15h09

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Sarapatel “gourmetizado”, canapés de queijo, risoto de maracujá, competidor obeso dançando capoeira, coelho vivo na cozinha, chef falando palavrão, competidora cozinhando com vestido de noite enquanto chora, apresentadora entrevistando familiares emocionados e uma trilha sonora intensa. A segunda edição da versão brasileira da franquia Master Chef, que estreou ontem na Bandeirantes, é um verdadeiro show de calouros.

Mas, se por um lado diverte como programa de humor, por outro foge totalmente da receita original. O material de divulgação informa que houve uma “rigorosa triagem” feita por uma “equipe de consultores gastronômicos”. Nada menos que 400 pessoas foram convocadas para um teste presencial na frente de um estádio.

Dessa leva saíram os 75 candidatos que encararam a primeira prova do reality: cozinhar para os jurados do programa: Erick Jacquin (Tartar&Co), Henrique Fogaça (Sal Gastronomia, Cão Véio e Admiral´s Place) e Paola Carosella (Arturito e La Guapa). O que não ficou muito claro é qual foi critério usado nessa peneira.

Como explicar que um corpo técnico deixaria passar no escrutínio inicial uma candidata que apresenta como prato de trabalho um trio de canapés de queijo? Fica a impressão que os 75 cozinheiros amadores foram selecionados com um critério puramente midiático. Podiam estar lá ou no Big Brother porque compõem um elenco. Coincidência ou não, uma das concorrentes que passou no filtro do trio foi Aritana Maroni, filha de Oscar Maroni, polêmico empresário que participou do reality “A Fazenda”, da Record.

O comportamento dos jurados também destoa das outras versões da franquia. Fogaça encara o tipo durão e mal encarado que faz cara de bad boy e fala palavrão enquanto Paola e Jacquin carregam no sotaque (o dela argentino e o dele francês). Em uma das apresentações, eles pediram que um candidato obeso jogasse capoeira. A produção permitiu, ainda, que um competidor entrasse carregando um coelho vivo de verdade “de estimação”. E temos também a Ana Paula Padrão, que parece meio deslocada nesse papel de animadora de auditório.

A participação dela parece ser totalmente dispensável e até ajudaria a atração, que ficaria mais ágil. Mas os momentos hilários compensam o ritmo arrastado, os exageros de cenas de bastidor e o excesso de merchandising. O diálogo desconcertante da cozinheira mineira que fez um hambúrguer gigante de frango com Paola é um exemplo impagável.

“Você trouxe o frango vivo?”, perguntou a chef argentina. “Claro que não, está doida?”, respondeu a moça. “Doida eu não estou”, retrucou Paola, com cara de pouco amigos. “Desculpe, é que mineiro fala assim”, concluiu a cozinheira amadora.  O programa de ontem teve baiano fazendo ceviche, japonês cozinhando moqueca e mineiro fazendo hambúrguer. Tudo intragável.         

Esqueça o cardápio e divirta-se. Quem quiser ver um verdadeiro programa de comida que procure o The Taste Brasil, da GNT, ou a versão australiana do próprio Master Chef.