Tudo pela, tudo para e tudo em nome da música: esse foi Kid Vinil

Tudo pela, tudo para e tudo em nome da música: esse foi Kid Vinil

Músico, jornalista, apresentador e produtor, Kid Vinil morreu nesta sexta-feira, aos 62 anos, deixando a marca de seu pioneirismo em várias gerações

Heverton Nascimento

20 Maio 2017 | 00h43

Se você avançar o vídeo abaixo direto para o tempo de 11 minutos e 02 segundos vai ver um garoto na parte inferior, com um cabelo… digamos… estranho. Sou eu. Em 1990 – isso explica o corte de cabelo? Tomara que sim – com 14 anos, na plateia do Matéria-Prima, apresentado pelo Serginho Groisman, na TV Cultura. A título de curiosidade, esse programa, anos depois, virou Programa Livre, exibido no SBT.

Mas falando ainda em curiosidade, logo depois do famigerado frame dos 11 minutos e 02 segundos – esse cabelo tava bizarro mesmo… – Serginho apresenta ‘Kid Vinil, o herói do Brasil’ para o quadro em que o mestre apresentava todos os dias, dentro do programa. A escolhida por Kid naquele dia foi Janis Joplin – fazia 20 anos que ela havia morrido e o nosso Antonio Senefonte – esse era o nome dele – escolheu comentar a importância da cantora para a história da música – por favor, depois de ler, vá ao vídeo e – não precisa olhar o cabelo – ouça o que o Kid disse.

FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO

 

Mas ouça mesmo. Repare na propriedade com que ele falou – de improviso – sobre Joplin. Depois ele nos convida a assistir a um clip tirado da apresentação de Janis no Festival de Monterey e confessou, ao final, que não quis cortar o vídeo no meio, como sempre fazia, porque estava muito bom. “Esse vídeo era uma covardia eu cortar no meio”, diz rindo. Esse era o Kid. Tudo pela, tudo para e tudo em nome da música.

Aprendi muita coisa com esse cara e me lembro de ter ficado encantado com o conhecimento musical e a identificação e o prazer que ele tinha em explicar os detalhes sobre qualquer artista, indicando bons discos e tudo o mais. Eu também me lembro que já gostava dele havia muito tempo, desde o começo dos anos 1980, quando era uma criança que usava a escova de cabelos da mãe como microfone e cantava ‘Eu sou boy’ com muita vontade. E escrever isso agora me lembrou que eu era – olha só! – office-boy no dia em que a escola na qual eu estudava marcou o ‘passeio’ para o auditório da TV Cultura. A empresa me dispensou durante a tarde, com a compensação das horas em outros dias.

O vídeo é esse aqui, ó:

 

E o Kid – caso você queira não ver o cabelo ~bizarro~ que eu tinha na época, aparece ali nos 11 minutos e 05 segundo, mais ou menos. Mas você pode também assistir ao programa inteiro. A atração musical era uma banda de mulheres, sugerindo algo sobre o empoderamento delas na música e no rock and roll – em 1990!, tenho de repetir.

A banda tinha Virginie, que tinha sido a vocalista do grupo Metrô – vai lá, campeão, dê um google nisso. Faça-se esse favor! E também tinha a guitarrista Laura Finocchiaro segurando o que me parece ser uma Charvellete – linda! E justamente por ser um programa sobre mulheres no rock and roll e na música foi que o Kid escolheu a Janis Joplin.

Desde quando encontrei esse vídeo no Youtube – Deus abençoe a internet! – eu me oriento pelo Kid Vinil para saber a hora que ‘apareço’. O Kid morreu hoje e me lembrei que ele me orientou muitas outras vezes na vida, por exemplo quando aparecia no Boca Livre e no Som Pop, programas do final dos anos 1980 que orientaram toda uma geração de ouvintes de rock no Brasil. Esta é uma homenagem ao carismático Kid Vinil, que amou de verdade a música.

 

 

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