O toque mágico de Stanley Jordan

Heverton Nascimento

06 Outubro 2016 | 23h23

Na última terça-feira, o guitarrista Stanley Jordan tocou em São Paulo, na casa Bourbon Street, famoso e tradicional reduto de boa música na capital.

Na noite desta quinta, 6, a apresentação é no Rio de Janeiro, no Teatro Sesc Ginástico. Ao todo, são nove datas em solo brasileiro. E sempre acompanhado da cozinha formada pelos brasileiros Mamão (Ivan Conte, baterista fundador do Azymuth) e Dudu Lima (baixista de primeira linha ligado, com trabalhos ao lado de nomes como Milton Nascimento, por exemplo.

Se você está em alguma cidade do roteiro – Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Ilhabela (SP), Belo Horizonte (MG) e Florianópolis (SC), vale a pena.

Stanley é hipnótico com sua música e com sua técnica peculiar de tratar a guitarra quase como um piano, digitando as notas no braço do instrumento com as duas mãos. O estilo foi inovador quando apareceu para o grande público com o disco Magic Touch, de 1985, e no filme ‘encontro Às escuras’, de 1987, em que o personagem de Bruce Willis leva o crush interpertrado por Kim Basinger a um clube de jazz e lhe apresenta Stanley Jordan representando a si mesmo no palco.

Vou me repetir: vale a pena. O filme, os discos. O show. Ah é, voltando ao show, uma das coisas que mais impressionam é a dinâmica. Standards do jazz tocados baixinhos, com a guitarra quase sussurrando, abrindo caminho para canções cantadas pela guitarra de seu mais recente trabalho, o Duets, que tem até Someone Like You da Adele.

Stanley é um sujeito delicado. E essa sensibilidade é exalada de sua guitarra música após música, até chegar em duas de suas grandes performances: Eleanor Rigby, dos Beatles, e Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. Não necessariamente nesta ordem. Elas estão, respectivamente no citado Magic Touch, de 1985, e em Flying Home, de 1988. Valem muito a pena. Olha só:

O show acima não foi em São Paulo. Ah, e falando nisso, na apresentação no Bourbon, Jorge Ben Jor estava na plateia. Diz muito sobre a arte e capacidade de interpretação de Stanley, que põe por terra aquelas falácias tipo ‘bom músico é quem compõe’. Tudo blá blá blá. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E Stanley é incrível.

Se você perdeu – Londrina, Recife, São Paulo e Rio, a essa altura, já foram – fica o consolo de que o guitarrista tem voltado ao Brasil anualmente. E vale a pena.