A complexidade rítmica de Djavan

Heverton Nascimento

15 Outubro 2016 | 12h34

O título deste post também poderia ser ‘Uma desculpa para mostrar um vídeo do Djavan tocando com a banda dos sonhos de qualquer um’, mas era muito grande.

O amigo Julio Maria, desta casa, publicou na sexta-feira uma excelente entrevista com Djavan, que você lê aqui, na íntegra, se quiser.

Na conversa, lá pelas tantas, o músico diz que teve problemas ‘A minha música tem um complicador com qualquer músico do mundo, já tive problemas aqui e nos Estados Unidos, que é a divisão rítmica. As pessoas não conseguiam entender o que eu queria.’

A julgar pelos músicos dos quais sempre se rodeou, é possível imaginar que a composição de Djavan é realmente complexa do ponto de vista rítmico. Excelentes instrumentistas tiveram problemas para assimilar o que se passa na cabeça do alagoano! Sim. E isso é um dos grandes trunfos de sua música.


Esse texto, na verdade, foi feito apenas para mostrar o que significam as setenças ‘aqui e nos Estados Unidos’ – dele – e ‘excelentes instrumentistas’ – minha.

Marcus Miller, Omar Hakim, David Sanborn e a guitarra luxuosa do saudoso Hiran Bullock. Certamente, não foi esse o time que teve alguma dificuldade rítmica.

Ah, o Hiran Bullock e sua Fender equipada com captadores de Les Paul são mesmo um show à parte e, não à toa, o que mais chama atenção deste blogueiro nesse vídeo aí de cima.

Bullock morreu em 2008, aos 52 anos, mas entre o seu – excelente – disco de estreia ‘From All Sides’, apresentado ao blogueiro pelo amigo André Christovam – até o último ‘Too Funky 2 Ignore’, ele mandou muito. E com muita personalidade. Ele também acompanhou muitos artistas, de Gil Evans a Chaka Khan, passando por Dizzy Gillespie e na internet você pode passar horas assistindo a vídeos dessas performances. #fica a dica.

Em tempo: Djavan toca hoje em São Paulo. No Espaço das Américas.