‘Satisfaction’, jovem e rebelde mesmo após meio século.

‘Satisfaction’, jovem e rebelde mesmo após meio século.

Faz exatamemente 50 anos que os Rolling Stones gravaram 'Satisfaction', um dos mais conhecidos hinos do rock and roll. A música foi gravada em duas sessões. A primeira no dia 10 de maio de 1965 e a segunda dois dias depois, nos Estados Unidos. Como novidade total, o uso de um pedal de distorção que deu à música seu som de guitarra mais marcante.

Carlos de Oliveira

07 Maio 2015 | 19h10

Foram apenas três notas. Si, dó sustenido e ré, tocados nessa ordem e no sentido inverso, na corda lá de uma guitarra distorcida por um até então desconhecido pedal Maestro Fuzz-Tone, da Gibson. Nada mais simples. Nada mais icônico. Há exatos 50 anos os Rolling Stones gravavam Satisfation, a música que deu voz rouca ao rock and roll e que até hoje identifica a banda.

Mick Jagger e Keith Richards em maio de 1965: a primeira gravação de 'Satisfaction' foi acústica.

Mick Jagger e Keith Richards em maio de 1965: a primeira gravação de ‘Satisfaction’ foi acústica.

Era início de maio de 1965 e os Stones se preparavam para sua segunda turnê pelos Estados Unidos. Naquela noite, como em todas as anteriores, o então jovem Keith Richards foi dormir tendo ao lado seu gravador portátil. Ligou-o e acabou pegando no sono. Na manhã seguinte, viu que a fita havia corrido até o fim. Rebobinou-a e apertou o play. Estava tudo lá. Três notas. O riff de Satisfaction. Certamente, o mais famoso da história do rock.

Dormindo – Keith garante que compôs o esqueleto da música enquanto dormia, embora, até hoje, não se lembre exatamente como tudo aconteceu. “Na época eu estava em transição de namoradas, em meu apartamento em Carlton Hill, Saint John’s Wood (Londres). Escrevi ‘Satisfaction’ dormindo e não tinha ideia de que a tinha escrito. Agradeço a Deus pelo meu pequeno gravador Philips”, recorda-se. No gravador, além das três notas do riff, a frase “I can’t get no satisfaction”. Depois, 40 minutos de roncos. Poucos dias depois, já no Fort Harrison Hotel, em Clearwater, Flórida, sentado junto à piscina, Mick Jagger escreveu o resto da letra.

De início, nem Keith nem Mick gostaram da música. Achavam que o riff fazia lembrar Dancing in the Street, do grupo Martha and the Vandellas, e que a levada estava mais para uma canção folclórica. Mas tudo iria mudar. No dia 10 de maio, os Stones fizeram a primeira gravação de Satisfaction, no Ches Studios, em Chicago. Era uma versão acústica, ainda bem longe do hino em que se transformaria dois dias depois.

A edição americana de 'Satisfaction', de maio de 1965.

A edição de lançamento de ‘Satisfaction’, de maio de 1965.

Distorção – No dia 12 de maio de 1965, a banda entrou novamente em estúdio, desta vez no RCA Studios, em Hollywood. Com a produção de Andrew Loog Oldham, eles regravaram Satisfaction, agora com a guitarra de Keith plugada no pedal de distorção. Gravaram e foram embora.

“Dias depois, na estrada, já em Minnesota, durante o programa de rádio Sucesso da Semana, nós nos ouvimos. Nem sabíamos que Andrew tinha mostrado aquela droga”, conta Keith.

Sucesso – O som inédito da distorção virou a cabeça de todo mundo e Satisfaction subiu rapidamente para o primeiro lugar nas paradas britânicas. Nos Estados Unidos, acusada de fazer menções pouco comportadas ao sexo, a música ficou inicialmente restrita às rádios piratas. Depois, o sucesso foi tanto que nada a impediu de também liderar as paradas locais.

A bem da verdade, Satisfaction nunca deixou de ser o maior sucesso dos Stones. Mantida até hoje no repertório, ela levanta multidões de fãs sempre que as três notas de seu riff hipnótico são executadas por Keith Richards. Como se vê, o velho Keith estava errado ao chamá-la de droga.

Ouça Satisfaction, ao vivo, no Festival de Glastonbury, em 29 de junho de 2013.