O bom e velho Phil Collins está de volta. Meio devagar, mas de volta.

O bom e velho Phil Collins está de volta. Meio devagar, mas de volta.

Phil Collins está de volta. Anos depois de ter anunciado sua aposentadoria, muito em razão do alcoolismo que quase o matou e deixou-lhe marcas evidentes na mente e no corpo, o músico inglês acaba de lançar sua autobiografia. "Not Dead Yet" é uma espécie de declaração pública de que o ídolo pop dos anos 80/90 ainda tem combustível para queimar. Com uma série de concertos agendados para 2017, Collins terá de se valer das habilidades de seu filho Nicholas na bateria. A bebida lhe causou tantos estragos que hoje Phil Collins anda com a ajuda e uma bengada e já não consegue tocar seu principal instrumento, a bateria. Sua voz também não é a mesma, mas, quem sabe, vai valer a pena seu esforço de voltar à cena. Sorte ao bom e velho Phil.

Carlos de Oliveira

27 Outubro 2016 | 18h25

Ele conheceu a glória nos anos 80 e 90. Fez parte de um seletíssimo grupo de artistas que venderam mais de 100 milhões de discos. Saturou o mercado musical e os ouvidos de meio mundo com a música In The Air Tonight. Foi ator infantil, fez uma ponta no filme A Hard Days Night, dos Beatles, foi o baterista do Genesis, teve a dura missão de substituir o vocalista Peter Gabriel quando este deixou a banda e, por fim, construiu uma carreira solo invejável. Mas, muitas vezes, a fama pune.

O cantor, compositor, pianista e baterista Phil Collins foi do céu ao inferno em pouco tempo e o gatilho de sua queda foi a bebida. Mas antes disso ele esteve entre os grandes, entre os melhores.

Em todas – Tocava sozinho, em grupo. Não perdia uma oportunidade para aparecer. Tocou um simples pandeiro durante os concertos de Eric Clapton na série 24 Nights, no início dos anos 90. Tocou com Robert Plant, Sting. Estava em toda parte.

Regeu uma big band com Tony Bennett à frente, em Montreaux. Participou do Live Aid e escreveu a música de Tarzan, o desenho animado da Disney, e ganhou um Oscar. Baixinho, era elétrico em suas apresentações. Muita energia. Voz poderosa, agitado, baterista poderoso. Foi do rock progressivo ao pop com a mesma facilidade. Vendeu tanto quanto Michael Jackson.

No fim doas anos 2000, a bebida quase matou Collins, que precisou de cadeira de rodas para se locomover.

No fim doas anos 2000, a bebida quase matou Collins, que precisou de cadeira de rodas para se locomover.

Hoje o ex-baterista do Genesis já não consegue tocar seu instrumento e precisa andar auxiliado por uma bengala.

Hoje o ex-baterista do Genesis já não consegue tocar seu instrumento e precisa andar auxiliado por uma bengala.

Bebida – No fim dos 2000, um certo declínio, uma espécie de aposentadoria voluntária, muito tempo para fazer nada, um segundo divórcio. Mergulhou no álcool e quase morreu num hospital, vítima de uma pancreatite aguda. “Meus órgãos destruíram-se; viraram material corrosivo”, admite. Doente, gordo, em cadeira de rodas e, depois, andando com o auxílio de uma bengala, Collins saiu de cena.

Antes disso, em 2007, durante um reencontro do Genesis, Collins fez sua descoberta mais dura: percebeu que não conseguia mais tocar bateria. “Naquele tour com o Genesis, alguma coisa aconteceu com a minha habilidade de tocar bateria. Na parte final dos concertos eu tinha um duelo de bateria com Chester Thompson (baterista de apoio da banda) e de repente alguma coisa horrível. Naquela noite nada aconteceu. Tentei de tudo. Baquetas mais longas. Nada. Nunca mais tocarei como eu já toquei um dia”, disse Collins.

Sem tocar – Para o músico, foi um mistério o que lhe aconteceu. “Eu não conseguia mais tocar. Tenho 65 anos e toco bateria desde os 5. Gostaria de ter a escolha de voltar a tocar, mas não vou ficar me lamentando”. Collins pode não tocar mais bateria, mas decidiu que continuará vivo para a música.

“Not Dead Yet”, autobiografia lançada dia 20 por Phil Collins.

Biografia – Nesse sentido, no último dia 20, lançou sua autobiografia com o sugestivo e providencial título Not Dead Yet (algo como ‘ainda não estou morto’). Mais: lançou também o álbum The Singles, uma coleção de seus maiores sucessos, num total de 45 faixas. Para coroar seu regresso à música, Collins acaba de anunciar para o ano que vem uma série de concertos na Europa, já todos agendados na Inglaterra, França e Alemanha.

Phil Collins nos anos 70, quando era o baterista do Genesis...

Phil Collins nos anos 70, quando era o baterista do Genesis.

Veja Phil Collins em pleno sucesso nos anos 80 em Easy Lover, com Philip Bailey:

Veja Phil Collins nos anos 80 tocando bateria com Mark Knopfler, Eric Clapton e Sting, em Money For Nothing:

Veja Phil Collins na fase final do Genesis, em Invisible Touch:

Concertos – A estreia de sua nova fase não poderia ser melhor: cinco noites em Londres, no lendário Royal Albert Hall, em junho de 2017. Na bateria estará seu filho Nicholas. “Nick aprendeu a tocar vendo John Bonham, Chad Smith e, claro, me vendo também. Então, ele tem atitude quando toca”, disse, orgulhoso, o pai.

Veja Phil Collins na semana passada, no programa de Jimmy Fallon, cantando In The Air Tonight:

Uma coisa, porém, é certa: por melhor que seja o regresso de Phil Collins aos palcos, o alcoolismo lhe fez muito mal e lhe cobrar o alto preço. Em apresentação no programa de Jimmy Fallon, na última semana, o músico inglês deu entrevista e cantou a eterna In The Air Tonight. Não fez feio, mas o Collins de hoje perdeu muito de seu brilho, de sua segurança, de sua voz.

Há poucos dias usou o título de um de seus álbuns para explicar sua atual situação. Em 1985 ele lançou No Jacket Required, numa alusão à informalidade de sua música. Hoje, disse Collins, quem for ver seus shows terá de usar um paletó, ou seja, o antes descontraído Phil estará bem mais calmo, mais formal, mais velho.