Bem no último dia os Beatles não foram nem um pouco originais

Bem no último dia os Beatles não foram nem um pouco originais

Justamente no último dia em que a banda tocou junto ao vivo, os Beatles não foram nada originais. O concerto no teto da sede da Apple, em Londres, no dia 30 de janeiro de 1969, há exatamente 47 anos, foi um cópia, consciente ou não, de um concerto-relâmpago que a banda americana Jefferson Airplane fez um ano e 23 dias antes, no teto de um hotel em Nova York. A apresentação de uma única música foi registrada pelo cineasta Jean-Luc Godard. O breve texto desta semana tem dois objetivos: registrar os 47 anos do último concerto dos Beatles e homenagear Paul Kantner, guitarrista do Jefferson Airplane, que morreu dia 28 último, aos 74 anos.

Carlos de Oliveira

30 Janeiro 2016 | 14h28

Os Beatles são sempre apresentados como sinônimo de originalidade. Na música, na estética, no comportamento, na perenidade de sua obra. Mas houve um dia em que eles não foram nada originais. Há quem diga até que foram meros plagiadores. Esse dia foi o 30 de janeiro de 1969, quando os quatro músicos reuniram-se pela última vez em uma apresentação ao vivo no telhado da sede da Apple, na 3 Saville Row, em Londres, há exatamente 47 anos.

No dia 30 de janeiro de 1969, os Beatles fizeram sua última apresentação ao vivo, no teto no prédio da Apple, em Londres.

No dia 30 de janeiro de 1969, os Beatles fizeram sua última apresentação ao vivo, no teto no prédio da Apple, em Londres.

Mas onde, afinal, não foram originais? Não foram originais naquilo que é mais importante para alguém criativo: na ideia. Na ideia de fazer um concerto no teto de um edifício. No dia 7 de dezembro de 1968, ou seja, um ano e 23 dias antes, a banda norte-americana Jefferson Airplane fez um concerto-relâmpago no teto do Schuyler Hotel, no centro de Nova York.

Jean-Luc – A pessoas que moravam, trabalhavam ou apenas passavam pelo midtown nova-iorquino foram surpreendidas por gritos que vinham de microfones muito amplificados: “Hello, New York! Wake up, you fu..ers! Free music! Nice songs! Free love!” Muita gente correu até as janelas para ver o que se passava. Tudo foi registrado por um  olhar de alto pedigree cinematográfico, o cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard, como parte de seu projeto inacabado One AM.

Veja, com imagens de Jean-Luc Godard, o Jefferson Airplane tocando no teto de hotel em Nova York:

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O guitarrista Paul Kantner, do Jefferson Airplane, que morreu no último dia 28, aos 74 anos. Abaixo, a banda nos anos 60.

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Como o Jefferson Airplane não tinha permissão para tocar naquele local (e sob a ameaça de serem todos presos por perturbação da ordem pública), o concerto teve apenas uma música: uma versão toda empolada de The House at Pooneil Corners. Diante da determinação policial, a banda resignou-se e abandonou o Schuyler Hotel, à exceção do ator Rip Torn, amigo dos músicos, que foi preso por desacato.

Se os Beatles foram plagiadores a história dirá. Enquanto isso não acontece, o fato é que há 47 anos alguém sempre cita (e lamenta) o último concerto público da banda. Ao Jefferson Airplane o crédito da originalidade.