O eclipse da vida mais abundante

O eclipse da vida mais abundante

Oscar Quiroga

17 Junho 2014 | 15h26

 

Às 15h26 de terça-feira 17-6-14 a Lua ingressou em Peixes para completar sua fase QUARTO MINGUANTE em conjunção com Netuno, sextil com Plutão, trígono com Saturno e Júpiter, sextil com Vênus e quadratura com Mercúrio até 16h05 de quinta-feira 19-6-14, horário de Brasília. No mesmo período, Vênus e Júpiter em sextil.

Do primeiro momento em que nossa consciência emerge e é impressionada por diversas sensações na dinâmica de relacionamento com o mundo, tomamos uma decisão, ou será que essa decisão nos toma?

A decisão de possuir a Vida, de fazê-la nossa, e ansiamos por mais sensações, principalmente a de nos consolidarmos como um Eu especial e diferente dos outros, alguém tão original que mereça toda veneração.

Paradoxalmente, é essa a atitude que nos condena ao lugar comum do sofrimento, pois não há como sustentar esse lugar tão especial e original, na prática será sempre muito mais o que teremos em comum do que aquilo que nos faz diferentes, e exaltar a diferença em detrimento do que há em comunhão conduz inexoravelmente ao lugar do sofrimento, aquele mesmo que pretendemos evitar ao ansiarmos sermos diferentes. A loucura nossa de cada dia!

Na maturidade, se é que um dia essa chega ou a conquistamos, esse Eu nosso faminto de sensações há de dar lugar a uma compreensão mais profunda e consistente da natureza da existência.

Quando isso não ocorre, e isso é bastante comum, especialmente entre as pessoas que fazem de tudo para não ser comuns, o Eu cresce de forma desproporcional, alimentando-se do desejo de uma vida separada do resto, que passa a ser considerado de inferior categoria. Como resultado, sobrevém a solidão, a dificuldade nossa de cada dia de estabelecermos vínculos ou de sustentá-los.

E, assim, de loucura em loucura nossa humanidade mergulha a cada dia mais no eclipse da vida mais abundante que sabe merecer, e que está à disposição.

Afortunadamente, ainda que nada aconteça ao acaso, tudo está em constante mudança, e as oportunidades de retificar o erro da separatividade são cotidianas e em profusão, só não as enxerga quem não quer.