Fim

Fim

Oscar Quiroga

24 Junho 2014 | 08h05

 

Às 8h05 de terça-feira 24-6-14 a Lua que míngua ingressou em Gêmeos e está em conjunção com Vênus, quadratura com Netuno, sextil com Urano, trígono com Marte e conjunção com Mercúrio até 8h56 de quinta-feira 26-6-14, horário de Brasília. No mesmo período, Marte e Urano em oposição.

Quem hoje madrugou e olhou para o céu claro e frio do leste se deparou com um espetáculo estelar, a conjunção da Lua e Vênus. Quem estava dormindo, ou inadvertidamente olhando para outro lugar, não por isso perdeu o espetáculo, esse informou a alma por outros meios.

Tantas coisas belas acontecem o tempo inteiro e nós por aqui sempre estamos ocupados em coisas que supostamente seriam mais importantes, não sabemos valorizar bem o tempo disponível.

Tu, que não sabes quando será teu fim, farias bem em existir como se esse fosse iminente e aproveitar mais tudo, pois há espetáculos de rara beleza se desenvolvendo no mundo visível e no invisível também.

Contando com que teu fim fosse iminente, certamente clarearias tua voz e falarias com absoluta sinceridade a respeito de tudo, sem rancor ou ressentimento, mas com a autoridade de quem está prestes a empreender uma viagem muito importante e quer deixar tudo claro e organizado.

Te coloca nessa posição, pois, teu fim pode mesmo ser iminente.

Contabiliza todas as estradas que trilhaste e também aquelas que deixaste de trilhar porque o medo te orientava assim, mas faze isso sem peso, a experiência humana não é fácil e cobrar-se demais não ajuda a aproveitar tudo que a vida oferece.

Coloca teus arrependimentos e ressentimentos no devido lugar, que não há de ser muito grande, esses não merecem destaque nos instantes derradeiros, já que o teu fim pode acontecer a qualquer momento.

Observa os planos que fizeste e observa bem aqueles momentos em que planejaste mais do que terias conseguido realizar, foi aí que começaram as frustrações. Agora que estás perto do fim engole tudo e cospe, não és a primeira alma a se frustrar entre o céu e a terra.

Tu amaste, tu te apaixonaste, tu te divertiste, tu também tiveste a tua parte de fracassos, mas a vantagem de partir para essa viagem estranha que é a morte é enxergar tudo com distanciamento, com desapego.

Afinal, Tu és humano, e que outra coisa terias para ti além disso, ser humano?

Como um filme que termina e que ninguém presta atenção aos créditos que passam mais rápido do que os olhos registram, levas contigo tua humanidade, nada mais.