Algo mais

Algo mais

Oscar Quiroga

22 Junho 2014 | 00h03

 

Às 0h03 de domingo 22-6-14 a Lua que míngua ingressou em Touro e está em sextil com Sol e Netuno, trígono com Plutão, oposição a Saturno e sextil com Júpiter até 22h49 de segunda-feira 23-6-14, horário de Brasília. No mesmo período, Vênus ingressa em Gêmeos.

Não é por muito estudar o Universo que te transformarás em uma alma universal, nem tampouco amanhecerá mais cedo por muito despertares antes de o Sol raiar.

Algo importante está ao teu alcance, mas ao mesmo tempo não o alcanças, mesmo com teu empenho.

Tu pressentes que há algo que precisas saber, algo que precisas fazer, porém, o tempo se esvai em cobiça, orgulho, posse territorial e riquezas materiais, enfim, todas essas coisas da “normalidade” e deixas o que pressentes que é importante para depois, um depois que nunca chega.

De vez em quando te dá uma luz e reconheces que bons relacionamentos são, de longe, mais importantes que tudo o mais; contudo, aí vêm as contas e a obrigação de pagá-las e tudo o que está envolvido nisso, teu andar solitário que se desenvolve em paralelo com o andar solitário de teus semelhantes, que também pressentem algo maior, algo que devem saber, algo que precisam fazer, mas o tempo se esvai em orgulho, cobiça, posse territorial e riquezas materiais, deixando todo mundo de lado o pressentimento para depois, um depois que nunca chega.

De vez em quando dá uma luz e você observa sem envolvimento, mas com atenção, que alguém perto de ti se dá conta do valor de um relacionamento e toma uma decisão de consolidá-lo, mas logo depois vem de novo a voragem das contas e das obrigações.

Se pudéssemos enxergar o desenho que nossos passos vão fazendo ao longo da vida perceberíamos o labirinto de repetições que desenvolvemos, interrompido aqui e lá por instantes em que miraculosamente saímos desse, para depois voltarmos com rapidez, como se tivéssemos saudade do que nos limita.

Pelo menos essa diferença entre andar pelo labirinto e de vez em quando transcendê-lo instala uma discordância, um conflito, e é sob a pressão deste que nossa humanidade desenvolve a capacidade de discernir e escolher.

Seguem-se crises infindáveis de decisão-indecisão baseadas nessa percepção e aprendemos a distinguir o certo do errado, perceber uma ordem em tudo isso, ansiando participar de um propósito e, principalmente, prevenir a maligna perversão de nos acostumarmos ao labirinto e declarar que não há nada além, mesmo sabendo que há.

O conflito de ideias e desejos vai se tornando tão acentuado que um dia finalmente se exaure por si só, e nossa humanidade se volta, aliviada, na direção de relacionamentos de retidão.

Algo bom emerge do que antes era ruim, e é algo que descobres por ti, sem que alguém venha a intervir na tua liberdade de escolha, alguém com ares de sabe-tudo e com a boca cheia de dogmas a te dar um sermão.

Esses sermões falam de Universo, mas não são universais.