Philippe Parreno, as sensações extremas
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Philippe Parreno, as sensações extremas

Sheila Leirner

13 Outubro 2016 | 11h09

Os artistas exibem obras em exposição. Philippe Parreno exibe exposições em obras. Aos 51 anos, ele encara a mostra de arte como um instrumento mas também como espaço poético, experiência global, objeto uno, porém não linear, que se desenvolve e transforma no tempo. É o que ocorre com ‘Anywhen’, instalação site-specific (Arte in situ) que apresenta na “Turbine Hall” da Tate Modern, em Londres, até o dia 2 de abril de 2017.

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A instalação ‘Anywhen’, de Philippe Parreno, apresentada na “Turbine Hall” da Tate Modern

Da mesma forma como com a retrospectiva apresentada há dois anos no Palais de Tokyo, em Paris, a sua obra continua imersiva. Ela é tão emblemática de sua preocupação em questionar a estrutura expositiva e os códigos mutatórios da obra de arte, e tão operística, que os espectadores saem aturdidos com a sua atmosfera ambígua, oscilantes entre a distração dos efeitos e a aflição dos conteúdos.

O objeto de arte não existe sem a sua exposição

Por meio de instalações, performances, concertos, projeções, filmes, objetos, esculturas, desenhos, textos, essa “unidade” é vista pelo artista como um canteiro ou uma oficina inédita de intervenções. Ele orquestra o todo também em acordo com uma técnica teatral para a qual são fundamentais as presenças fantasmagóricas da música, sons, luz e movimento. “É preciso sempre colocar em relação a produção da forma e a exposição da forma”, diz. “As duas coisas são totalmente dependentes. O objeto de arte não existe sem a sua exposição”.


Agora Philippe Parreno investe os 3,300 metros quadrados da “Turbine Hall” que tem 26 metros de altura e que, desde a sua abertura no ano 2000, já recebeu 60 milhões de visitantes.

Ele se inspira no cinema, na televisão, no teatro e nos espetáculos. Constrói dispositivos díspares, ambientes e situações, planeja percursos, cria tramas e conduz o espectador a uma viagem – ora como partícipe, ora como contemplador um pouco entorpecido – por meio de uma tensão constante entre a realidade e o virtual. Como acontece com os filmes que nos marcam a ponto de acordarmos pensando neles, seus trabalhos são capazes de perenizar na vida real as mesmas sensações que provocaram, várias horas depois.

Até a próxima, que agora é hoje e não deixe de assistir o impressionante teaser de ‘Anywhen’ aqui!

 

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Philippe Parreno - foto: Andrea Rossetti

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