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As viagens e a escrita

Ricardo Lombardi

13 Junho 2007 | 09h24

Um trecho de uma entrevista com o escritor italiano Antonio Tabucchi, feita pelo jornalista (e também escritor) Renato Modernell. Está lá no site do Renato, autor do melhor livro sobre São Paulo já escrito, “Sonata da Última Cidade”. Leitura obrigatória para quem tem uma relação de amor e ódio com a cidade. Segue o papo com o Tabucchi:

— Os seus romances são freqüentemente romances de viagem. Quanto influem as viagens na sua escritura?

— Acho que depende muito da situação em que a viagem ocorre. Fiz viagens que não resultaram em nada, talvez porque não me despertaram a emoção necessária ou porque não encontrei as pessoas certas. Mas houve também outras viagens, em geral para países dos quais eu não tinha a chave cultural, que mexeram muito comigo. Talvez porque eu tenha encontrado um personagem ou escutado uma história. Creio que uma viagem pode sugerir ou estimular um texto literário apenas quando se consegue manter os olhos bem abertos e captar diversos aspectos da realidade. E sobretudo escutar as histórias certas, o que me agrada muito. Isto pode acontecer em qualquer lugar, inclusive na minha própria casa. Foi o que aconteceu com as histórias que minha avó me contava e que mais tarde resultaram em “Piazza d’Italia”. O mais bonito numa viagem é encontrar uma pessoa não esperada e que te diz alguma coisa, te conta uma história, te faz uma confidência, te faz talvez entender uma parte da vida. Mas na realidade isso pode ocorrer em qualquer lugar.

O Renato promove oficinas de escrita imperdíveis, que eu acho que vale divulgar. Em tempos de alta tecnologia, as pessoas andam querendo se expressar em blogs, livros, roteiros… Isso explica o sucesso desse tipo de oficina. Este parágrafo eu peguei no site dele:

  • Há décadas, universidades estrangeiras (inglesas, espanholas, americanas, canadenses) mantêm os chamados cursos de escrita criativa (creative writing) como um componente da formação em Letras. Mestrados e doutorados nessa área vêm tendo êxito sob o ponto de vista acadêmico e também de público. Na América Latina, embora só agora disciplinas desse tipo comecem a figurar em âmbito acadêmico, essa atividade já existe, de modo menos formal, há pelo menos três décadas. Na Argentina, no começo dos anos 70, difundiram-se as oficinas literárias com grupos de cinco a dez pessoas. No Brasil, por essa mesma época, a PUC-RJ criava uma das primeiras oficinas literárias (então denominadas workshops) por iniciativa dos escritores Silviano Santiago e Affonso Romano de Sant’anna. Renato Modernell começou a dirigir suas oficinas de escrita no final dos anos 80. Nessa época, reunia pequenos grupos de criação literária em seu apartamento na Vila Madalena, em São Paulo. No início da década de 1990, Modernell passou a trabalhar com grupos maiores, em programas organizados pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. De lá para cá, expandiu seu trabalho para públicos mais diversificados, dirigindo oficinas de escrita em faculdades, escolas, instituições culturais, empresas, ONGs e livrarias em diferentes cidades do país.