Protestos e homenagem a Antonio Fagundes marcam prêmio de teatro
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Protestos e homenagem a Antonio Fagundes marcam prêmio de teatro

Leandro Nunes

22 Março 2017 | 01h56

Indicado em três categorias, o espetáculo O Grande Sucesso, com Alexandre Del Nero, foi o vencedor da noite com duas estatuetas na 29ª edição do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo. A cerimônia realizada na Vila Olímpia ainda premiou Miriam Mehler e fez uma homenagem a carreira de Antonio Fagundes.

Estrelada por Nero, O Grande Sucesso fez temporada trazendo um espetáculo musical que celebra o fracasso de artistas que aguardam na coxia a hora de entrar no palco. A montagem venceu nas categorias autor, por Diego Fortes, e figurino de Karen Brusttolin.

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Coletivo Bijari protesta no Prêmio Shell – Foto: Leandro Nunes

Nero festejou a surpresa de ser premiado em São Paulo. “É muita felicidade ver um trabalho que começou com grandes artistas e amigos de Curitiba vir para cá e vencer. É o lugar para isso.” Fortes também compartilhou a surpresa. “A gente nunca ia imaginar uma coisa dessas.”


A noite ainda reservou gritos de “Fora Temer” com a premiação do Coletivo Bijari que foi reconhecido pela cenografia de Adeus Palhaços Mortos. O grupo agradeceu aos jurados e levantou faixas de protesto contra o presidente Michel Temer. O espetáculo com direção de José Roberto Jardim está na programação do World Stage Design, festival de design e performance que será realizado em julho desse ano, em Taiwan.

Miriam Mehler foi escolhida na categoria atriz pelo espetáculo Fora do Mundo. Aos 60 anos de carreira, a intérprete fez um apelo aos artistas e produtores presentes. “Não se esqueçam, a nossa geração, mais antiga, precisa e ama trabalhar.”

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Vencedores da noite festejam na cerimônia – Foto: Leandro Nunes

Na categoria direção, Felipe Hirsch conquistou o troféu com a montagem A Tragédia Latino-americana e falou da importância da relação dos artistas com o Ministério da Cultura (Minc). “Os artistas têm sido tão linchados por esse governo. Ele diz que a arte não serve para nada. Precisamos restabelecer a nossa confiança junto ao Minc. São tempos de trevas.” O diretor ainda citou o cenário político e econômico no Rio. “Quando estreamos lá, a polícia estava jogando bombas que custavam R$ 800 em professores que ganham um salário de R$ 800. Ainda assim há uma luz no fim do túnel e vamos chegar lá.”

O grande homenageado da noite foi o ator e produtor Antonio Fagundes. Aos 67 anos, e com mais de 50 no cinema, televisão e teatro, o ator está em cartaz com Baixa Terapia, nova montagem que vem no embalo de outras duas recentes experiências cênicas Vermelho, de 2012, drama que questiona a visão artística a partir da obra do pintor expressionista Mark Rothko, e Tribos, montada em 2013 e que revelava a rotina de uma família disfuncional.

Em discurso, o ator relembrou a única vez que foi indicado ao prêmio. “Na época, fiquei muito feliz mas não ganhei. Tenho a impressão que se eu fosse indicado hoje, também não ganharia, diante de tantos artistas incríveis.”

O júri de São Paulo é composto por Carlos Eduardo Colabone, Evaristo Martins de Azevedo, Lucia Camargo, Luiz Amorim e Renata Melo.

Confira a lista completa:

 

Autor:
Diego Fortes por O Grande Sucesso

Direção:
Felipe Hirsch por A Tragédia Latino-americana

Ator:
Fúlvio Stefanini por O Pai

Atriz:
Miriam Mehler por Fora do Mundo

Cenário:

Coletivo Bijari por Adeus Palhaços Mortos

Figurino:

Karen Brusttolin por O Grande Sucesso

Iluminação:

Miló Martins por Um Berço de Pedra

Música:

Dr. Morris por Cabras – Cabeças que Voam, Cabeças que Rolam

Inovação:
SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, pela formação de profissionais nas áreas técnica e artística sob uma política pedagógica contemporânea.

 

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