As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mia Couto vence o Prêmio Camões 2013

Daiane Oliveira

27 Maio 2013 | 16h57

2 mia couto filipe araujo estadao_1.jpg

Atualizado às 20h20.

Maria Fernanda Rodrigues – O Estado de S.Paulo

Biólogo por profissão, o moçambicano Mia Couto costuma dizer que a escrita é uma casa que visita. Portanto, não é escritor – está escritor. Essas visitas têm ocorrido com frequência há exatos 30 anos, quando estreou na literatura com um livro de poemas. Não insistiu no gênero, mas levou a linguagem poética para tudo o que escreveu desde então: Terra Sonâmbula, O Último Voo do Flamingo, O Outro Pé da Sereia, entre outras duas dezenas de títulos.

Foram vários prêmios em sua carreira de escritor-biólogo, mas nenhum tão importante como o anunciado no final da tarde desta segunda-feira, 27. Aos 57 anos, ele venceu, por unanimidade, o Camões, o mais prestigioso da língua portuguesa e que foi instituído por Portugal e Brasil em 1989 para premiar autores que contribuem para a projeção da língua portuguesa. Mia ganhou 100 mil, como o brasileiro Dalton Trevisan ganhou no ano passado e o português Manuel António Pina no anterior. Era esperado que um africano vencesse agora e o nome de Mia, que acaba de lançar Cada Homem é Uma Raça (Companhia das Letras), de contos, era o favorito.

À Agência Lusa, ele disse que ontem seria um dia normal, que iria apenas jantar e se desligar do mundo quando foi surpreendido pela notícia. Ficou feliz, claro.

“A escolha não foi difícil. Mia é um autor que ao longo destes anos soube inovar estilisticamente e influenciou escritores em Portugal e no Brasil. Ao mesmo tempo, ele tem uma grande atenção pelas pessoas que estão à margem e pela natureza”, disse o angolano José Eduardo Agualusa, membro do júri que hoje se reuniu no Rio de Janeiro. Ao lado dele, os brasileiros Alberto da Costa e Silva e Alcir Pécora e os portugueses João Paulo Borges Coelho, José Carlos Vasconcelos e Clara Crabbé Rocha.

“Sua obra ficcional é caracterizada por uma profunda humanidade e por uma grande inovação estilística. É um autor que está traduzido em cerca de 30 línguas, que tem uma ampla fortuna crítica e uma obra que ultrapassou há muito as fronteiras moçambicanas’, justificou Clara Rocha, professora aposentada da Universidade Nova de Lisboa e filha de Miguel Torga, o primeiro vencedor do prêmio.

Veja a lista completa dos vencedores do Prêmio Camões:

2013 – Mia Couto (romancista moçambicano)
2012 – Dalton Trevisan (contista brasileiro)
2011- Manuel António Pina (poeta, cronista, dramaturgo e romancista português)
2010 – Ferreira Gullar (poeta brasileiro)
2009 – Armênio Vieira (escritor de Cabo Verde)
2008 – João Ubaldo Ribeiro (romancista brasileiro)
2007 – António Lobo Antunes (romancista português)
2006 – José Luandino Vieira (escritor angolano; recusou o Prêmio Camões)
2005 – Lygia Fagundes Telles (romancista brasileira)
2004 – Agustina Bessa Luís (romancista portuguesa)
2003 – Rubem Fonseca (romancista brasileiro)
2002 – Maria Velho da Costa (romancista portuguesa)
2001 – Eugénio de Andrade (poeta português)
2000 – Autran Dourado (romancista brasileiro)
1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen (poeta portuguesa)
1998 – Antonio Candido (crítico literário e ensaísta brasileiro)
1997 – Pepetela (romancista angolano)
1996 – Eduardo Lourenço (crítico literário e ensaísta português)
1995 – José Saramago (romancista português)
1994 – Jorge Amado (romancista brasileiro)
1993 – Rachel de Queiroz (romancista brasileira)
1992 – Vergílio Ferreira (romancista português)
1991 – José Craveirinha (poeta moçambicano)
1990 – João Cabral de Melo Neto (poeta brasileiro)
1989 – Miguel Torga (poeta e romancista português)

 COLABOROU HELOISA ARUTH STURM