Lollapalooza traz atrações interessantes em meio à aura gourmetizada
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Lollapalooza traz atrações interessantes em meio à aura gourmetizada

27 Março 2015 | 14h57

Preço alto do ingresso é a questão mais delicada que envolve o grande evento

Há quatro anos no Brasil, o Lollapalooza – festival de música indie concebido em 1991 por Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction, como uma turnê de despedida da sua banda – já pode ser considerado o maior festival de rock do País. Quer dizer, o Rock In Rio, que atrai mais gente à Cidade do Rock, parece que parou no tempo (é só ver o line-up deste ano: clássicos incontestáveis e novidades mais do que óbvias). Não há busca por nenhum tipo de renovação estética, nem do rock nem da música popular, o que acerta em cheio no quesito “levar 100 mil pessoas para um lugar só e cobrar por isso” mas parece errar de longe quando a questão é “relevância”. Ora, nenhum julgamento de valor, cada uma faz o que pode para viver, mas é isso.

O Lollapalooza, ao menos, tenta ano a ano trazer novidades e shows que começam a chamar a atenção no exterior, e que não necessariamente arrastam multidões. Quando uns cinco garotos de Kentucky (EUA) vieram em 2012 com dois discos na bagagem, ninguém achou que a apresentação do Cage The Elephant seria uma das melhores daquele ano. Em 2013, um dos shows mais aguardados era dos estreantes do Alabama Shakes, com a voz poderosa de Brittany Howard, na sua doce mistura de soul, blues e rock n’ roll. Embora não seja nada iniciante, o ex-guitarrista dos Smiths Johnny Marr fez um dos shows mais vibrantes da edição de 2014 com sua banda solo. Mas não era “Smiths”. Como não é “Queen” (anunciado há poucos dias como atração do Rock in Rio).

Preparativos para o Lollapalooza 2015 FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Preparativos para o Lollapalooza 2015 FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Os shows a que o público deve prestar atenção neste ano podem ser divididos em duas categorias óbvias, nacionais e internacionais, sendo que os primeiros quase sempre começam bem mais cedo. Far From Alaska, O Terno, Scalene, Boogarins e Banda do Mar – bandas que souberam receber as influências da cultura pop americana e inglesa, especialmente, para criar um som criativo em terras tupiniquins – tocam divididas pelos palcos nos dois dias sempre antes das 14h30, e são excelentes motivos para você pegar o trem mais cedo e enfrentar a provável (e volumosa) chuva que deve cair em SP no fim de semana.

As bandas internacionais são sempre os grandes destaques deste tipo de festival. Além dos mais óbvios Jack White e Robert Plant (remanescentes de grandes bandas no passado, mas que mantiveram um trabalho interessante em suas carreiras solo), que inclusive tocaram uma música juntos no último fim de semana, na Argentina, fique de olho nas seguintes bandas: Molotov, Interpol, St. Vincent e Marina and the Diamonds.

A primeira, mexicana, mistura um rock carregado com dois baixos e preocupação política somados a uma dose de humor para incomodar os carolas; o Interpol, também já veteranos, vem de um dos últimos grandes movimentos e cenas do rock n’ roll internacional, uma espécie de revival de Nova York do início do século 21; St. Vincent, apesar de já estar no quinto disco, sempre se manteve um metro abaixo da superfície para criar um som autoral com uma guitarra nas mãos que é das coisas mais originais que existem por aí. Marina and the Diamonds desembarca pela primeira vez no Brasil com seu som que é uma mistura de pop e indie e ocupa um dos principais horários do festival (20h15 do sábado).

E ainda tem o show do Smashing Pumpkins para quem não aguenta mais ouvir Happy. Isso que só deu tempo de falar do rock – o festival dedica pelo menos metade de sua grade à música eletrônica – talvez a principal novidade desse ano seja o Rudimental, grupo britânico cujo primeiro álbum, Home, de 2013, quebrou as paradas do Reino Unido.

Mas o ingresso é muito caro. Crise mundial, alta do dólar, alíquota ridícula dos impostos brasileiros, abuso irregular da meia-entrada. Sem dúvida há milhares de explicações para que um ingresso para os dois dias do festival custe R$660 e a taxa de conveniência do site saia por mais R$132. Mais R$ 8 se quiser imprimir o ingresso em casa. Muito caro.

Talvez, só talvez, se o Lolla não quisesse colocar uma montanha russa, ou um painel gigante em que as pessoas tirem fotos e saiam transformadas em um pôster do festival, ou mesmo proporcionar “um momento épico dentro de uma lata gigante”, todos esses promessas dos patrocinadores deste ano, a entrada tivesse um valor um pouco menor. Talvez não.

A promessa desse ano é que a mobilidade entre os palcos melhorou. Como não há nenhuma banda imensa do mainstream (como houve, em outras edições, Foo Fighters e Pearl Jam), a expectativa é que a lotação máxima não seja atingida. Melhor para todos. A oportunidade de ver boas bandas num dia só e dançar na chuva é, desde os anos 1960, o que move os grandes festivais da cultura pop.

*Este texto foi primeiro publicado no Estadão Noite, vespertino especial para tablets do Estadão.

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