Trio de rap 3030 encerra trilogia com o disco ‘Alquimia’ e se apresenta em São Paulo
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Trio de rap 3030 encerra trilogia com o disco ‘Alquimia’ e se apresenta em São Paulo

Pedro Antunes

14 Março 2018 | 20h16

Alquimia é o conhecimento pra acessar o todo / 
Acessar o plano espiritual / 
Sem se prender a qualquer divisão religiosa / 
Alquimia é modificação da realidade, igual magia /
A gente vive num mundo físico /
Num mundo material / 
Mas a busca é sempre interna, a missão é espiritual / 
Desperta“, diz a faixa de abertura de Alquimia, o terceiro disco cheio do trio 3030.

A música acima, toda falada, tem a função de abrir um portal. Um ambiente no qual as ideias abstratas e a espiritualidade se aproximam da realidade – tudo nasce da força do pensamento, da crença do indivíduo em si.

“Alquimia é a transformação dos elementos”, explica Luan LK, um dos integrantes do trio, ao blog.

A faixa em questão, chamada de Introdução Alquímica, é encerrada com uma provocação: em uníssono, Bruno ChellesLKRod provocam: “Quem é você?”

3030 (Foto: Daryan Dornelles)

É a partir daí que nasce, verdadeiramente, Alquimia, o disco, o terceiro álbum de inéditas do grupo que tem também disco acústico (Acústico 3030, de 2016), mixtape (Universo Adverso, de 2010) e dois EPs (De volta ao Início, de 2011, e A Iniciação do Alquimista, 2017).

A Iniciação do  Alquimista, aliás, é também uma intro ao que viria a ser o disco do 3030. Mas a narrativa dessa trilogia tem início com Quinta dimensão, de 2012. Na sequência, veio  Entre a Carne e a Alma (2015).

A ideia de criar uma tríade não era clara para eles em 2012, mas se construiu ao longo dos anos. Quando chegam em Alquimia, os integrantes do 3030 estão jogando na ponta dos cascos, com a classe daquele jogador de meio de campo que mantém a cabeça levantada enquanto distribui as jogadas de ataque.

Esteticamente, Alquimia mantém o que o grupo chama de “rap brasileiro”, com a antropofagia saudável dos sons que se espalham por esse País – e, isso, inclui até mesmo gêneros importados, mas de sucesso por aqui, como zouk e um reggaeton.

“É um disco que também mostra uma maturidade nossa com relação à sonoridade”, avalia LK.

A escolha por Arthur Verocai (arranjos), Pretinho da Serrinha (cavaco), Chico Brown (violão) e Alberto Continentino (baixo) comprovam o refinamento adquirido ao longo do tempo.

A agora chamada trilogia não foi criada dessa forma, como contam os rapazes. Nasceu da vontade deles em cantar sobre espiritualidade, transformação. Alquimia, o disco, contudo, nasceu da percepção de que os álbuns anteriores tinham uma linha temática que os conectasse.

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3030 (Foto: Daryan Dornelles)

“Possivelmente, nosso próximo disco vamos buscar uma nova sonoridade”, revela o rapper e também produtor de Alquimia.

Agora com a clareza que só a maturidade pode trazer, o 3030 se abastece das experiências pessoais para rimar sobre amor, saudade e sentimentos transformadores – sempre positivos.  A linha que costura todas as canções, desta vez, está mais clara do que nunca. Cria coesão e amplia o alcance da mensagem.

As participações de nomes estabelecidos da cultura hip-hop nacional, como Emicida (em Febre de Mudança) e MV Bill (em A Verdade Tem Que Ser Dita), ajudam a afirmar o 3030 como um nome em ascensão no cenário brasileiro.

A provocação dos 3030 citada no início do texto – “quem é você?”, perguntam eles em Introdução Alquímica – é, na verdade, uma comprovação.

Porque com Alquimia, afinal, o trio busca é a transformação. A intenção é que o ouvinte que passou pela a pergunta não seja o mesmo ao escutar os arranjos de corda que dão fim a Desabafo, a última faixa de Alquimia.

A estreia do novo disco do 3030 em São Paulo será nesta sexta-feira, 16, no Nos Trilhos (mais informações aqui).

Ouça Alquimia, o novo álbum do 3030: