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Tim Bernardes, d’O Terno, une no discurso o ‘certo e o errado’ – afinal, ‘tanto faz’; ouça a 1ª música solo

Pedro Antunes

29 Agosto 2017 | 18h02

‘Recomeçar’ é o primeiro álbum solo do vocalista da banda O Terno e será lançado em breve

Tim Bernardes (foto: Biel Basile)

Sozinho, no quarto, Tim compunha. Fez, daquela safra de canções, um apanhadão.

Eram vários Tims ali.

Uma parte daquilo foi para O Terno, a banda com a qual lançou o discaço Melhor do Que Parece, no ano passado; a outra, começa a desaguar aqui.

Chegará em forma de álbum solo, Recomeçar, que toma força pelo selo Risco.

Há quem já tenha ouvido o álbum. “Você vai gostar”, me contaram. “É bem sofrido”, disse outra moça.

A partir desta terça-feira, 29, Tim libera para que mais pessoas possam entender quem é seu eu-artístico sem ter, ao lado, Guilherme d’Almeida e Gabriel Basile, os companheiros d’O Terno.

‘Tanto Faz’ é sofrida sem necessariamente tratar do amor entre dois corações.

Porque é, afinal, um tratado sobre a paz em tempos de ódio. Em meio a um “você está errado” e “não, você que está errado”, Tim lança seus versos para uma inquietude ainda maior. Não há lado certo, canta o artista, se o futuro não está nas nossas mãos.

A reflexão pela qual Tim clama está “bem mais embaixo”. E pede calma.

Sem precisar ser explícito, Tim é leve para tratar de temas cabeludos.

Tanto faz
Quem saiu, quem entrou
Tanto faz
De que lado ficou
Tanto faz
Eu vou sempre perder

Eu, rapaz
Sou você, somos nós
Tanto faz
Se está mal ou pior
Quem tem mais
É que tem o poder

Tim se desconecta de si e soa como uma voz a pedir pela racionalidade em um exercício de compreensão do mundo ao redor.

O ódio, tal qual o amor, cega.

Diante de um futuro aterrorizante, a braveza pode tomar o lugar da razão. Perde-se, com isso, a perspectiva. Não adianta medir erros e acertos, comparar a profundeza das dores, se o caos é o que nos aguarda.

E aqui está o truque de Tim, um dos mais interessantes compositores da sua safra.

Ele usa o próprio pessimismo da canção para trazer a luz. Subliminarmente, Tim dá a resposta:

Não adianta ser nós contra eles, eu contra você. Que tal unir lados, quem saiu e quem entrou, em busca do verdadeiro problema?

Tanto Faz, a canção, é contida – sua explosão se dá em pequenas doses, como gritos que se soltam sem querer. São pequenos espasmos de uma verdade que faz força para sair dele vomitada.

Na música, violão de cordas de aço, surdo e voz são de Tim. Felipe Pacheco Ventura conduz os violinos arranjados pelo próprio vocalista d’O Terno.

E caso perguntem, O Terno vai muito bem – e fizeram um show lindo no último sábado, 26, no Sesc Pinheiros, para celebrar o lançamento do vinil de Melhor do Que Parece.

Anti-ódio, Tim compreende o que tá aí na frente do nariz de cada um de nós. E é a falta de amor, o problema.

Então, talvez, Tanto Faz seja mesmo uma canção de amor?

Talvez, sim. Talvez, não. Estar certo, afinal, tanto faz.

Ouça ‘Tanto Faz’: