Sound Bullet embala com guitarras a imperfeição humana em novo clipe; assista
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Sound Bullet embala com guitarras a imperfeição humana em novo clipe; assista

Pedro Antunes

01 Fevereiro 2018 | 06h00

Há, nas letras cantadas pelo Sound Bullet, aquela sensação deliciosa de entender quem é, nas imperfeições, nas falhas e acertos.

Não há nada mais humano do que o erro – é o que aproxima a humanidade das divindades, em diferentes religiões, afinal.

Sound Bullet (Foto: Pedro Guarilha)

E é justamente no período de transição, da saída da adolescência (quando a petulância jovem é mais forte do que a compreensão do mundo ao redor) e entrada na vida adulta, que vive-se o período de entendimento cantado pelo quarteto do Rio de Janeiro no disco Terreno, lançado no ano passado – com direito a citações em diferentes listas de melhores desse intenso 2017.


Uma estreia carregada de existencialismo, questionamentos de uma banda cuja carreira se iniciou há cinco anos e, agora, estreia com um álbum de fato, com começo, meio, fim e um conceito.

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Terreno, o disco, é o foco principal da apresentação da banda fará por São Paulo no próximo sábado, 3, a partir das 18h, no espaço Augusta 339. Dividem a noite as bandas Lavolta, de São Bernardo do Campo, e o duo de guitarra e bateria Robur.

Formado por Guilherme Gonzalez (guitarra e voz), Fred Mattos (contrabaixo e voz), Henrique Wuensch (guitarra) e Pedro Mesquita (bateria), todos vivendo seus 20 e poucos anos, o Sound Bullet “estreia” na fase adulta e definitiva da banda com Terreno, um disco precedido pelo EP Ninguém Está Sozinho, de 2013, e a música When It Goes Wrong. O single, lançado há dois anos, cantado em inglês, foi responsável por catapultar a popularidade da banda no exterior.

Sound Bullet (Foto: Pedro Guarilha)

No Spotify, por exemplo, a música foi ouvida mais de 700 mil vezes, um número estrondoso para um grupo em início de carreira e trabalhando na formação de um público. “Esses números foram surpreendentes até mesmo para a gente”, confessa, rindo, Mattos.

“Um rapaz do Japão entrou em contato conosco para poder usar a música em um podcast dele. Isso é surreal.” Como a música foi gravada dentro de um projeto da Converse Rubber Tracks, com versos em inglês, o impulso pode ter vindo daí, mas a música tem apelo inegável. A linha de baixo bem definida ergue voz e as guitarras de riffs bem desenhados. O refrão, antecedido por um breve intervalo de silêncio, é um convite ao delírio e à melancolia inerente.

No single, a banda gritava para tentar entender o que houve de errado, sentia a dor e a ausência dela. A maturidade da nova fase se apresenta, por exemplo, na música Em Um Mundo de Milhões de Buscas, escolhida para ganhar um videoclipe na qual é possível ver o processo de gravação da faixa, lançado com exclusividade aqui no blog.

“Eu vejo em mim o que passou / Em um segundo se acabou / A saudade vem angustiar / Mas meu coração não para”, diz uma das estrofes e expõe a diferença de perspectiva adotada pela banda em Terreno. “Já posso te ver sorrir / Após milhões de buscas que eu fiz.”

Ao longo novembro de 2016 e abril de 2017, o grupo trabalhou nas 11 canções de Terreno, álbum produzido por Patrick Laplan, um sujeito que entende de dar peso e graves nas canções. O disco foi lançado em setembro do ano passado, depois de ser masterizado no Hanzsek Audio, em Seattle, nos EUA.

Aos poucos, a linha responsável por costurar as canções do álbum – a humanidade – se apresentou para o quarteto. “Não é que a gente já imaginava isso desde o começo. De repente, isso se apresentou. O conceito é posterior”, conta Mattos. “Tínhamos composto metade das faixas quando percebemos essa narrativa, essa visão de tratar a humanidade e a imperfeição.”

E é um momento muito específico esse, o fim da inocência e petulância e o breve otimismo diante da vida adulta nascido a partir da segurança em si próprio. Depois, ele passa, os boletos chegam um seguido do outro, mas é revigorante voltar para esse tempo, mesmo que durante os 42 minutos de som.