As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Sangue e clichês são a mistura explosiva da HQ de Mark Millar

Pedro Antunes

13 Março 2015 | 11h54

Edição de luxo de Kingsman: Serviço Secreto, com os seis quadrinhos, chega às livrarias e lojas especializadas do País


Mark Millar parece saber escrever um quadrinho como se criasse um roteiro. Não é por acaso que obras dele como Kick-Ass e O Procurado ganharam adaptações para os cinemas, sem grandes traumas e elogiadas. Kingsman: O Serviço Secreto é o mais recente deles e está atualmente em cartaz com Colin Firth, Michael Caine, Samuel L. Jackson e Taron Egerton. A história, originalmente dividida em seis partes, lançadas entre 2012 a 2013, certamente não será a última a ganhar vida nas telonas.
O longa dirigido por Matthew Vaughn ainda está em circuito e a Panini lança hoje a edição de luxo do quadrinho, compilando as seis edições originais, nas quais Millar é capaz de destilar seu veneno contra a cultura pop e nerd em geral, com críticas a filmes como Star Wars e Star Trek, ironizar o glamour do universo dos espiões e extrapolar nas cenas de violência. Como um agrado aos fãs, as últimas páginas da edição são reservadas para esboços de Dave Gibbons, ilustrador do seminal álbum Watchmen, na construção dos personagens.
Sangue e clichês são esparramados por todos os lados, de forma proposital, no texto ágil de Millar. O escritor segue pelo caminho autoral nos últimos anos, justamente após receber um conselho de Stan Lee, maior criador de heróis da história, no qual dizia que se ele quisesse fazer dinheiro com suas histórias, deveria criá-las a partir do zero. É o que ele tem feito desde os anos 2010, principalmente.
Ainda assim, o trabalho de Millar realizado na editora Marvel, nas HQs Guerra Civil e Quarteto Fantástico, servirá de base para os próximos filmes dos heróis e confirma que, de fato, Millar tem tino para a coisa.
O Kingsman original coloca um dos melhores espiões do mundo para ajudar um delinquente juvenil sem futuro. A dinâmica entre eles, contudo, é diferente do que é visto na telona. O filme de Vaughn entrega o humor de forma mais escancarada, enquanto Millar alterna entre sutileza e o esdrúxulo. A discrepância entre a versão em papel e nas telonas fica clara na participação do ator Mark Hamill (o Luke Skywalker, de Star Wars). Imperdível em ambas.